Praxis – Revista do ISCRA Saiu o segundo número da Praxis, a revista do ISCRA (escola de Teologia e Ciências Religiosas da diocese de Aveiro). O segundo número de qualquer revista é sempre o mais difícil. O primeiro sai por desafio, por ímpeto inicial, por determinação superior. O segundo não. Implica vontade acrescida e investimento continuado. Implica uma equipa constante e bem coordenada.
Com a direcção e coordenação de Maria Armanda Saint-Maurice (que certamente alguns leitores reconhecerão do comentário às leituras dominicais do programa “A fé dos homens/Ecclesia”, no canal 2:), a Praxis promete continuar a aparecer duas vezes por ano e mos-trar a boa reflexão teológica que se vai fazendo.
Há Natal para além das luzes e dos doces
O presente número, com colaborações de Aveiro e de outros pontos do país, centra-se na essência do Natal, a humanização de Deus. O Bispo de Aveiro escreve sobre a expressão “Homens de boa vontade”. João Duque, teólogo de Braga, aborda o tema “Natal e pós-cristianismo”, ou seja, a incarnação no ambiente pós-moderno. Pe. Georgino Rocha, doutorado em Pastoral, analisa a partilha de bens, “uma epifania de Natal”, a partir do pensamento de João Crisóstomo (padre do séc. IV). Pe. Joaquim Martins, pároco de Esgueira, especializado em Catequese, escreve sobre “Falar de Natal hoje” e da necessidade de “reenvangelizar o Natal”. Por seu lado, Pe J. Marques Marques Pereira, da equipa sacerdotal da Sé, aborda a “Espiritualidade da esperança”, isto é, aquela que é própria do Advento. Há ainda um artigo sobre o “Natal contado e cantado por Santo António”, por Henrique Pinto Rema, e outro sobre “A regeneração da vida em nós”, por Carlos H. de C. Silva. A directora da revista faz umas “breves considerações sobre a maternidade divina”, uma maternidade “que não é exclusiva das mulheres”, mas que é “uma experiência espiritual das mais subidas que podem ser dadas ao ser humano”. A fechar a revista, antes das recensões de livros por Marques Pereira, Luís Silva e Hermínia Pedro, Pe. Júlio Franclim e Pacheco aponta algumas imprecisões, mentiras grosseiras e erros crassos do “Código da Vinci”, romance do norte-americano Dan Brown. Na página 63, como forma de exprimir a alegria e ternura do Natal, surge uma “Natividade”, desenho de Clara Meneres, escultora que “em breve integrará o corpo docente do ISCRA”, conforme diz Maria Armanda na apresentação da revista.
Para quê uma revista de Teologia?
Uma revista como esta – é de reconhecer – não é de leitura fácil ou imediata. Na verdade, a profundidade da fé não se mede pela cultura teológica, tal como para andar limpo não é preciso saber qual a fórmula química da água – basta lavar-se. Porém, tem o seu espaço como linha avançada das razões para a esperança. Destina-se àqueles que querem escavar um pouco mais nos fundamentos da fé (além de, para o ISCRA, servir como moeda de troca para receber revistas de outros institutos). Ora a questão é: existem entre nós cristãos, catequistas ou outros agentes de pastoral – ou mesmo professores e alunos no ISCRA – que se aventurem a ir um pouco mais além na reflexão teológica? A Praxis não é simplesmente o resultado da reflexão de alguns investigadores. É antes de tudo o desafio a um cristianismo mais consciente e fundamentado. Reflectir é ver mais longe.
J. P. F.
