Regata de Moliceiros

22 moliceiros cruzaram a Ria, entre a Torreira e Aveiro, na tradicional Regata Anual de Moliceiros. Na tarde do último sábado, 22 de Julho, o vento suave proporcionou uma regata tranquila, com imagens de grande beleza, como acontece sempre que um moliceiro de vela enfunada desliza pelo azul das águas. A organização da prova esteve a cargo da Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro, com o apoio da Câmara Municipal de Aveiro e da Região de Turismo Rota da Luz.

Classificação da Regata – A prova foi ganha pela embarcação “José Miguel”, da Bestida, Murtosa. Deste concelho são todos os seis primeiros classificados: “Doroteia Verónica” (2º lugar, da Bestida), “Manuel Vieira” (3o, da Torreira), “Dos Netos” (4º, do Chegado), “Reinaldo Belo” (5º, da Bestida), e “António Garete”, (6º, das Quintas do Norte). Em 7º lugar ficou “O Lameirense”, do Torrão do Lameiro, Ovar.

Vencedor dos painéis – “O Lameirense”, do Torrão do Lameiro, Ovar, ganhou o primeiro lugar do concurso de painéis. A embarcação pertence a Domingos Valente e José Gonçalves, residentes no Torrão do Lameiro. Os painéis foram pintados por Jonny Santos, de Vagos.

Tripulação do “José Miguel” – “Correu muito bem a regata deste ano. Com pouco vento, tudo é mais fácil de controlar. No ano passado estava tanto vento que a própria vela levantava o barco. O segredo para ficar outra vez em primeiro lugar? Saber as correntes da água. Procurar o remanso das águas”, diz José António da Silva Vieira, 53 anos, arrais do “José Miguel”, que chegou à antiga lota de Aveiro em primeiro lugar, tal como no ano passado. A tripulação da embarcação vencedora era constituída por quatro adultos e duas crianças. “Eles têm que começar a aprender”, diz Jorge Vieira, irmão do dono da embarcação.

Património Imaterial da Humanidade? – A Região de Turismo Rota da Luz e a Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro assinaram no sábado, após a regata, um protocolo que visa desenvolver acções tendentes ao reconhecimento e classificação pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) do Barco Moliceiro como Património Imaterial da Humanidade. “O processo é muito moroso e obedece a procedimentos rigorosos, mas só o facto de nos candidatarmos já traz a Aveiro e, em especial, ao barco moliceiro grandes vantagens, uma vez que passa a figurar nas listas, mapas e roteiros do património que é passível de ser classificado pela UNESCO”, afirma Pedro Silva, presidente da RTRL.

Centro Interpretativo da Ria – A Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro, liderada por Eduardo Costa, pretende criar um centro interpretativo da Ria, junto ao canal de São Roque. Reactivando o antigo Estaleiro do Tobias, o último, na cidade, onde foram construídos moliceiros, a associação pretende mostrar artes relacionadas com a Ria, entre as quais a da construção das embarcações típicas. A Câmara Municipal já afirmou que apoia o projecto.