Dia da Igreja Diocesana Leigos, consagrados e clero, com os dois Bispos de Aveiro, celebraram em Vagos o dia da comunidade diocesana
O mundo precisa de ver na Igreja e nos cristãos “o rosto do amor de Deus”, a “esperança tornada compromisso” e o “humanismo talhado em caridade”, afirmou D. António Francisco, na Eucaristia que concluiu o Dia da Igreja Diocesana, celebrado no Santuário de Santa Maria de Vagos, no último Domingo de Junho.
O dia foi vivido sob o lema “renovados na caridade, somos esperança no mundo”. Retomando a reflexão da manhã, em que cerca de uma centena de pessoas reflectiu sobre os serviços sócio-caritativos, o Bispo de Aveiro sublinhou que o Plano para a Pastoral Social, que está em fase de conclusão, será “um passo importante para tornar a caridade mais visível nas pessoas, movimentos e estruturas”. “Queremos ser igreja renovada na caridade, capazes de criar dinamismos para que todos os cristãos adquiram consciência de que a caridade é o maior sinal da vida cristã das comunidades”, disse.
Trabalho caritativo em questão
Durante a manhã, cristãos, quase todos ligados a serviços de Igreja como IPSS (instituições particulares de solidariedade social), vicentinos, Cáritas e visitadores dos doentes, reflectiram em grupo sobre as novas necessidades sociais ou a relação dos serviços com a comunidade cristã. Pretendia-se que a reflexão desse achegas para Plano de Pastoral Social que está em fase de conclusão. Os trabalhos foram orientados pelo P.e João Gonçalves. Estava previsto que fossem dinamizados pelo novo vigário da Pastoral, o P.e Francisco Melo, que preparou o dia na generalidade, mas um problema de saúde impossibilitou a participação deste sacerdote.
O Correio do Vouga esteve no plenário e dá conta dos principais contributos. O tom geral foi de que não há necessidade de novos grupos, mas é necessário valorizar os que existem. Sugeriu-se, no entanto, três novos serviços, um de acompanhamento de pessoas em luto, outro para ajudar as famílias na adopção de crianças e outro de visita aos lares, que “difunda a esperança”. Ainda no capítulo do voluntariado, sugeriu-se a criação do dia paroquial do voluntariado, porque, disse um voluntário, “todos devemos estar ao serviço, mas todos gostamos de ver o nosso serviço reconhecido”.
Insistiu-se na formação cristã dos recursos humanos, principalmente nas IPSS, e na relação destas organizações com a comunidade cristã. As IPSS da Igreja fazem caridade e serviço social em nome da comunidade cristã, mas nem sempre isso é reconhecido, seja pela comunidade envolvente, seja pelos próprios funcionários das IPSS.
Chamou-se a atenção para a organização dos serviços, com bases de dados, recursos informáticos ou outros meios, como forma de evitar algum abuso por parte de pessoas necessitadas e sublinhou-se a necessidade de atacar as causas (falta de emprego e de formação, na maioria dos casos) para além das consequências da pobreza (a privação involuntária dos bens essenciais).
Suspeitou-se que há instituições que recusam utentes que não podem pagar pelo menos parte do serviço. “Penso que isto não existe nas instituições cristãs – disse o porta-voz do grupo. Se existe, deve fazer-nos reflectir. Se não estamos marcados pelo espírito fortemente cristão, não podemos existir ligados à Igreja”.
Alertou-se para a necessidade de comunicação e coordenação entre serviços ligados a uma mesma paróquia ou mesmo a nível arciprestal. Isto poderá ser feito por um grupo coordenador, o que terá pelo menos três consequências positivas: evita perdas de tempo, aumenta a eficácia do dinheiro gasto, gera-se capacidade para estar atento às novas necessidades.
Duas notas muito humanas, e de alguma forma provando que para além da caridade organizada será sempre necessária a caridade que parte do coração de cada pessoa, marcaram a reflexão dos grupos e obtiveram ecos no plenário, apesar da humildade das protagonistas, anónimas na assembleia. Uma senhora da Murtosa, perante o grande número de idosos acamados, bateu a diversas portas e apresentou-se ao pároco com um grupo de 15 voluntários que se prontificou a fazer a visita semanal aos 60 doentes. Uma necessidade sentida, uma solução encontrada.
“Preciso que me cortem as unhas dos pés”
Outro caso revela como por vezes se corre o risco de oferecer uma resposta quando a pergunta é outra. Perante a insistência das visitadoras, “Precisa de mais alguma coisa?”, a doente nunca dizia nada. Até que a certa altura disse mesmo: “Preciso que me cortem as unhas dos pés”. Esta era uma necessidade escondida, talvez por vergonha, mas real. E foi cortando as unhas dos pés que as visitadoras reforçaram os laços com a doente.
No recinto do Santuário, durante todo o dia, alguns grupos, movimentos e instituições de solidariedade social ligados à Igreja mostraram os seus projectos mais recentes. Pôde-se apreciar, entre outros, os projectos da Casa Sacerdotal, do novo lar da Gafanha da Nazaré ou do centro de Actividades Ocupacionais da Palhaça. Avanca preferiu entregar na mão de cada participante um folheto sobre o lar de cuidados continuados que vai construir nos próximos anos.
Jorge Pires Ferreira
Padre e jovens em missão
Na celebração, D. António Francisco enviou jovens e o P.e Filipe Coelho, que durante o Verão vão fazer uma experiência missionária em Angola ou no Brasil. Pediu-lhes para levarem com eles toda a Igreja de Aveiro e para trazerem o testemunho das outras igrejas. “Senti que estamos convosco em todos os dias da vossa missão”, disse.
Ordenações no dia 12 de Julho
O Bispo de Aveiro informou que serão ordenados seis diáconos permanentes e um presbítero, no dia 12 de Julho, às 16h, na Sé de Aveiro, e pediu às comunidades cristãs que “preparem este dia nas paróquias”. Informou ainda que durante o Verão estará nas “comunidade com mais emigrantes em tempo de férias”.
Dois momentos com muitos jovens
Durante as férias, dois eventos vão congregar muito jovens. O primeiro acontece de 24 a 26 de Julho, em São Jacinto: o Festival Jota. Trata-se de um festival de música pop/rock de inspiração cristã, com momentos de oração e reflexão. O segundo é o acampamento dos escuteiros de Aveiro, de 31 de Julho a 6 de Agosto na Vagueira.
Impressões no Santuário de Vagos
Manuel Calafate, Cacia
É importante, como cristão, estar na presença do Sr. Bispo, com os presbíteros, diáconos e cristãos de Aveiro. Sinto-me em comunhão com a Diocese. Vim apenas da parte da tarde, para a Eucaristia, por ter responsabilidades na minha paróquia, de manhã. Foi a primeira vez que participei num Dia da Igreja Diocesana, com a minha mulher.
Rosa Irene e Hélder Figueiredo, Trofa (Águeda)
Interrogámo-nos se não terá de haver mudanças para que o dia seja mais participado. Pareceu-nos que o dia já foi mais participado noutros anos. Era o que estávamos, precisamente, a comentar um com o outro. O nosso pároco apelou à participação, lembrou que a Igreja não se encerra na paróquia, mas são poucos os que saltam para fora dos muros da paróquia, para viver esta dimensão diocesana da Igreja. Talvez precisemos de outra dinamização. Costumámos participar, mas este ano tivemos mais um motivo, para além do encontro e da partilha. A nossa filha vai como voluntária missionária para Benguela, Angola.
Jovens voluntários
Sara Santana, 21 anos, Estudante de Medicina, Ílhavo
Vou como voluntária, durante o mês de Agosto, para Lwena, Angola. Não quero ter muitas expectativas, mas quero estar preparada para desenvolver algum trabalho, na dimensão humana e cristã, ainda que o tempo seja pouco. Espero aprofundar a vocação missionária. O meu único medo é não cumprir o que se espera de mim.
Luís Reigota, 21 anos, Carpinteiro, Vagos
Vou trabalhar durante duas semanas numa Casa do Gaiato – acabei de saber há minutos. Espero poder ser útil. Este voluntariado fora da zona de residência é uma primeira etapa para que no próximo ano possa trabalhar numa missão. Espero ser capaz de ajudar e de dar bom testemunho cristão.
