Perto do Cais da Fonte Nova o espaço está a ser remodelado, pondo em realce a antiga capela de São Tomás.
A Capela de São Tomás de Aquino e a encosta situada na sua zona envolvente estão a ser requalificas de modo a criar um novo polo cultural no centro da cidade de Aveiro alicerçado em quatro vetores: recuperação do pequeno templo, exposição de obras de arte, preservação dos importantes vestígios de arqueologia industrial ligada à cerâmica, e nova área verde.
No início de janeiro, as obras de recuperação da capela estiveram paradas devido à descoberta de uma estrutura antiga, com formato circular, e posterior estudo arqueológico do local, facto que não deverá implicar qualquer alteração ao projeto do arquiteto Carrilho da Graça.
De acordo com os serviços culturais da Câmara Municipal de Aveiro, cuja técnica de arqueologia está a acompanhar os trabalhos, a estrutura agora descoberta poderá estar relacionada com antigas oficinas ou com as famosas fontes “milagrosas” que existiam nessa encosta bastante rica em termos de arqueologia industrial (onde se destaca uma chaminé), vestígios esses que a autarquia pretende preservar e valorizar integrando-os num percurso expositivo a criar na futura zona verde envolvente.
O projeto de requalificação do local também contempla a preservação da “muralha” de sustentação da encosta, construída com materiais muito diversificados, alguns dos quais não existentes na região (como as pedras escuras), na qual são visíveis “aberturas” em forma de arco, estruturas que poderão ter pertencido a antigas oficinas ou a ancestrais sistemas de drenagem de águas.
Para além da recuperação da antiga Capela de São Tomás de Aquino, que se encontrava bastante degradada, o projeto de Carrilho da Graça contempla a ampliação desse pequeno templo de modo a criar um espaço expositivo centrado no retábulo intitulado “Sicvt Dolor Meus”, da autoria do artista Julião Sarmento, e o arranjo urbanístico da envolvência, incluindo a escadaria em material cerâmico.
A Capela de São Tomás de Aquino ergue-se na encosta virada para o canal e cais da Fonte Nova, em terrenos que pertenceram aos frades dominicanos do antigo Convento de Nossa Senhora da Misericórdia (atual Sé de Aveiro), próximo do local onde, em séculos passados, ficava o Bairro dos Oleiros. Em novembro de 1905, o industrial aveirense Jerónimo Pereira Campos comprou os terrenos da Agra dos Frades a D. Laura Mendes Leite, descendente de Manuel José Mendes Leite.
Cardoso Ferreira
