Requeixo preserva Pateira

O Polis Litoral Ria de Aveiro deverá investir cerca de 7,7 milhões de euros na recuperação da Pateira de Fermentelos, anunciou Diana Gaspar, da equipa técnica da Parque Expo, empresa responsável pela concretização desse programa polis, no 1.º Colóquio da Lagoa da Pateira, realizado no dia 4 de Junho, por iniciativa da Junta de Freguesia de Requeixo.

Na zona da Pateira, o Polis contempla trabalhos diversos, como desassoreamento da lagoa e a criação de zonas de lazer na envolvente. Também a Administração da Região Hidrográfica do Centro (ARHC) poderá contribuir na melhoria das condições da pateira, nomeadamente na limpeza dos jacintos-de-água que são uma praga na lagoa e que está a ser combatida de modos diferentes, mas ambos eficazes, pela Junta de Freguesia de Requeixo, através da limpeza diária do leito, e pela Câmara Municipal de Águeda, com o recurso a uma “ceifeira” aquática.

“Todos somos poucos a lutar pela Pateira, porque ela é um bem importante que o nosso país tem”, referiu o presidente da Junta de Freguesia de Requeixo, Sesnando Alves dos Reis, um homem que há décadas trabalha em defesa da maior lagoa natural da Península Ibérica, vulgarmente conhecida por Pateira de Fermentelos, apesar de banhar terras de três concelhos: Águeda, Aveiro e Oliveira do Bairro.

O autarca destacou que “nem sempre a Pateira teve o tratamento adequado, é um bem natural de que nós não estamos a usufruir como deveria ser”. Sobre a “ceifeira aquática” que trabalha no vizinho concelho de Águeda, Sesnando Alves dos Reis sublinhou que “ela tem resultados práticos sempre que há água suficiente para ela trabalhar”, só que normalmente “quando é a altura propícia para se fazer o controle dos jacintos-de-água e evitar que eles proliferem, a Pateira tem pouca água e ela não pode trabalhar”.

Reconhecendo o trabalho que está a ser efectuado por diversas entidades, entre as quais a ARHC, a Polis e as câmaras municipais, o autarca de Requeixo garantiu que os trabalhos realizados em Requeixo “deram provas e estão à vista de toda a gente”, pelo que, em conjunto com a ARHC vai avançar com “alguns trabalhos para que os jacintos-de-água acabem de uma vez por todas”.

Se os jacintos-de-água são uma praga que pode ser controlada, já o controle dos lagostins merece mais cepticismo por parte de Sesnando Alves dos Reis, que os considera “um flagelo”, porque “não há ninguém que os apanhe, não há ninguém que os compre. O problema dos lagostins é, de longe, muito pior do que o problema dos jacintos”.

O autarca afirmou que “os lagostins devoram todas as outras espécies de peixes”, para além de “cavarem a Pateira, deixando a água turva”, chegando mesmo a invadir os terrenos ribeirinhos, onde destroem tudo.

Cardoso Ferreira