O cidadão comum fica perplexo face ao labirinto de verdade-mentira, de justiça-injustiça, de honestidade-corrupção, desenhado por aqueles que deveriam ser para nós referências, garantias de verdade, justiça, honestidade. Os sórdidos interesses de permanecer no poder ou de o alcançar turvam de tal ordem a atmosfera nacional que se torna muito difícil descortinar os caminhos que poderão levar este povo a construir um futuro sólido, as atitudes que darão à vida nacional transparência e serenidade.
A maioria dos portugueses sabe que é preciso mudar de estilo de vida. Ainda há muita gente que não perdeu – ou já adquiriu – hábitos de sobriedade e de poupança, que já se converteu a uma nova capacidade de gerir orçamentos mais apertados.
Mas ficamos atónitos com a facilidade com que uns tantos transformam privilégios em direitos adquiridos, com o descaramento de outros que continuam a esgrimir argumentos para acumular fontes de receitas escandalosas e o despeito de outros que reclamam como normais os proveitos absolutamente anormais, justificando-os com as pesadas exigências dos cargos…
Nunca fui apologista da igualdade confundida com unicidade; sempre entendi que a excelência e o mérito são uma realidade, mas conciliável com a justiça social e a igualdade de dignidade no tratamento. Todavia, repudio liminarmente esta chafurdice política que continua a gerar filhos e enteados, que produz um punhado de ricos despudorados e uma multidão crescente de pobres desprotegidos.
Pagamos somas absurdas para alimentar processos judiciais mediáticos e não temos uma justiça que nos garanta equidade, nem uma segurança que nos dê tranquilidade, nem um código sancionatório suficientemente claro e proporcional para punir os infratores e libertar os inocentes.
Suportamos custos esmagadores de combustíveis e impostos viários pesadíssimos, para ir trabalhar. Pagamos IVA bem pesado, para poder comer o essencial. Estamos perplexos quanto aos cuidados de saúde e à qualidade da educação. Sentimo-nos uma nação esmagada pelas exigências externas sobre uma dívida que não fomos nós a contrair.
Parece que o céu se abate sobre nós! Por isso, temos de gritar: Chega de imunidades ridículas, que escondem corrupção e lucros desmedidos, influências interesseiras. Basta de oportunismos de carreiras e postos, supostamente de serviço do bem comum, que não são senão rápidos processos de enriquecimento ilícito!
Continuo a acreditar que a vida passa pela morte, que a glória vem depois da prova. Não quero percorrer o caminho da desilusão e do desespero como os discípulos de Emaús. Mas, para muitos, torna-se imperativamente urgente o brilho da aurora de ressurreição, sob pena de “apodrecerem no sepulcro” desta organização social madrasta! E arregacem as mangas e ergam bem alto a sua voz os cristãos, para rolar essa pesada pedra do sepulcro, porque, hoje, Deus quer que a ressurreição se faça também com o nosso contributo!
