O responsável pelo sector da Igreja Católica que coordena a liturgia, padre Pedro Ferreira, afirmou que os fiéis “têm dificuldade em rezar nas celebrações”, lacuna que atribui à “ignorância” e ausência de formação, entre outros factores.
“Falta muito a dimensão orante”, sublinhou o sacerdote em entrevista à Agência Ecclesia, acrescentando que “é muito difícil rezar com os cânticos que se cantam e é muito difícil rezar com as maneiras como se celebra a liturgia”.
O director do Secretariado Nacional da Liturgia (SNL) assinala que “há muita gente, sobretudo de boa sensibilidade, como os artistas, que se queixam da dificuldade em encontrar celebrações onde possam rezar”.
Depois de referir que a oração dentro das celebrações, nas quais se destaca a missa, compreende “a forma como se lê”, os “gestos do presidente” e a “maneira de vestir” dos crentes, o padre Pedro Ferreira critica a “tendência para secularizar tudo e retirar o sagrado da liturgia”, uma “moda dos tempos que também passará”.
Muitos fiéis “querem missas bonitas, folclóricas, muito agradáveis, um espectáculo; ora, para isso temos outras coisas”, frisa o responsável, acrescentando que não se pode “inventar a liturgia” nem “o padre não pode celebrar a eucaristia como quer”.
O responsável, falando no início do 37.º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, que decorreu em Fátima entre segunda e sexta-feira da semana passada, considera que a ausência de educação litúrgica é o maior desafio da liturgia católica portuguesa, que tem de debater-se com a “muita ignorância e falta de respeito” existentes no interior da própria Igreja.
