A Ria de Aveiro continua “esquecida” (ou “desconhecida”) pela Administração Central, como se verifica pelo “abandono” a que se encontra votada pelo Ministério do Ambiente, e pela sua não inclusão no PIT – Programa de Intervenção Turística, alerta Ribau Esteves.
Quando o Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT) começou a se discutido, percebeu-se que a Ria de Aveiro iria ficar de fora…, porque “Aveiro não tinha poder político”, como então foi afirmado por alguns aveirenses. No entanto, o ministro da Economia, Manuel Pinho, que tutela o Turismo, foi eleito por Aveiro, onde liderou a lista do PS. A par disso, também Marques Mendes e Paulo Portas, presidentes do PSD e do CDS-PP, respectivamente, encabeçaram as listas dos respectivos partidos em Aveiro, tendo sido eleitos deputados.
Sobre o estado de “abandono” da Ria de Aveiro, o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, que também preside à AMRia – Associação dos Municípios da Ria, e à GAMA – Grande Área Metropolitana de Aveiro, lembra que “a Ria de Aveiro não está com falta de uma entidade gestora. A Ria de Aveiro tem uma entidade gestora, que é o Ministério do Ambiente, desde há seis anos. A questão é que o Ministério do Ambiente não liga nada à Ria de Aveiro, não investe, não cuida, não zela e tem uma postura de “não faz nem deixa fazer”, com o cúmulo, recente, de as taxas dominiais de 2006 não terem sido cobradas. É o abandono total, até na componente administrativa”.
Para além do actual governo socialista, Ribau Esteves também culpabiliza os anteriores, ao dizer que o “abandono” da Ria “demonstra objectivamente que os discursos dos governantes, dos últimos quatro governos, estão bem longe daquilo que tem sido a consequência prática desses mesmos discursos”.
Para o autarca ilhavense, a não inclusão da Ria de Aveiro no PIT e no PENT “é grave. É um erro objectivo do governo. Estamos a lutar, a vários níveis, para que esse erro possa ser corrigido; mas se o governo teimar nele, as nossas forças irão ser devidamente redesenhadas para as utilizarmos de forma a promovermos, também na componente de rentabilização turística, este património, que é natural, que é social e que é económico”, afirmou.
“Nós temos meios para fazermos as nossas coisas”, afirma Ribau Esteves, que garante: “Vamos persistir com todos os governos que o país tiver, mas espero que não haja mais nenhum que despreze este problema de dar atenção e importância à nossa Ria de Aveiro, que partilhe connosco a gestão ou que faça a gestão sozinho. Que decida e que faça coisas, que cuide deste ecossistema natural, onde vivem 350.000 pessoas, onde existe uma actividade económica da maior importância, com empresas públicas, como o Porto de Aveiro, e com múltiplas empresas privadas. Isto carece de atenção, carece de investimento, carece de uma parceria entre o titular da gestão, neste caso concreto, o Governo, (Ministério do Ambiente) pela mão da CCDRC (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro) e os agentes locais”.
Ribau Esteves quer maior investimento público e privado na região, para potenciar o desenvolvimento de “pólos museológicos, como o Museu da Ria de Aveiro, na Murtosa, as componentes que estão previstas no Polis de Aveiro, os investimentos que estão previstos no concelho de Ílhavo, como a Marina da Barra e o Pólo Museológico do Barco do século XV, os investimentos previstos em Vagos ou em Ovar. Em todos os municípios da ria há apostas e gente interessada, agentes públicos e, sobretudo, muitos operadores privados que querem materializar estas intenções de investimento, obviamente sempre de forma sustentável, porque queremos fazer a optimização da ria, não queremos trabalhar para a sua degradação”.
