Boas Férias
O Prazer de conviver
Com o corre-corre da vida, nem sempre temos tempo para conviver. Bem nos lem-bramos disso, mas vamos adiando o encontro sempre agradável com familiares e amigos, para momento mais tranquilo. Esse momento, se pensarmos com calma, pode ser nas férias. Porém, nem nessa altura conseguimos olhar para o lado para descobrir quem precisa da nossa atenção.
Façamos, então, o propósito de nas próximas férias dedicarmos algum do nosso tempo aos familiares e amigos, para pormos em dia a conversa interrompido talvez há anos. Sem pressas, mais com a preocupação de escutarmos os outros, falemos de coisas agradáveis, recusemos a maledicência e apostemos no positivo. Olhemos para eles como gente que é capaz de partilhar connosco ideias que contribuam para um mundo melhor. Recordemos vivências experimentadas em comum, na certeza de que lembrar o passado pode ser reviver. Procuremos amigos isolados na sua solidão, talvez doentes e acamados, talvez esquecidos, talvez marginalizados e à espera de alguém que os oiça. Se isso acontecer, saibamos escutá-los generosamente para, a partir daí, conseguirmos recriar amizades que nos ajudem a ser mais fraternos e, por isso, mais cristãos.
As férias não podem ser somente um espaço de tempo exclusivamente para nós. É fundamental que saibamos dar para um dia também recebermos, decerto em duplicado. E como cristãos, temos de dar um sabor especial ao mundo que nos rodeia com os valores do Evangelho.
Saibamos, então, aproveitar todas as oportunidades para conversar, deixando fluir em nós os critérios de Deus, com toda a serenidade, compreensão e disponibilidade, porque é preciso reconquistar o tempo perdido com a vida a correr que temos levado.
Entrevista
Uma viagem de sonho
O primeiro entrevistado do Roteiros é o padre José Manuel Marques Pereira, vigário paroquial da Glória. Com um gosto especial por conhecer novas gentes e novas culturas, organiza viagens há mais de 18 anos, sendo conhecido pela forma metódica como o faz, sem nunca descurar a preocupação pastoral. As suas viagens, sendo, por um lado, “uma fruição de férias, têm uma componente cultural e religiosa”, conforme nos confidenciou.
Há sempre um guião, elaborado com cuidado, “onde não falta o espaço para a oração”, e nas visitas às igrejas reflectem-se sempre “alguns mistérios que as envolvem”, bem como “as ligações históricas de que foram testemunhas”. Normalmente, celebra-se a eucaristia, sobretudo aos domingos, mas também há o contacto com povos bem diferentes de nós, pela sua maneira de ser e de estar na vida, com culturas e sensibilidades muito próprias, o que é uma mais-valia para o enriquecimento pessoal dos participantes.
A viagem, que muito marcou o nosso entrevistado, foi à Turquia, em especial a visita à Capadócia, que foi uma bela oportunidade para se recordarem os padres capadócios (padres/teólogos dos primeiros séculos da Igreja, como São João Crisóstomo), que tiveram um papel importante em algumas definições da nossa fé, como a “humanidade e divindade de Cristo e a defesa do dogma da maternidade divina de Maria”, referiu.
O padre José Manuel confessou ao Correio do Vouga que ficou sensibilizado pela visita que fez à casa de Nossa Senhora, em Éfeso, onde Ela viveu com o apóstolo São João. Aí reconheceu como a Virgem Maria é venerada, “não apenas pelos cristãos, mas também pelos muçulmanos”.
Sente que as pessoas que costumam acompanhá-lo gostam das visitas que organiza todos os anos, à semelhança do que fazem diversas paróquias, pela “segurança que experimentam no grupo”, o que nem sempre é oferecido pelas Agências de Viagens.
Ao falar de Istambul e do Corno Dourado (Estreito do Bósforo), recomendou uma visita à antiga igreja de Santa Sofia, que é hoje um museu, e à igreja de Chora, pela riqueza dos seus mosaicos, muito bem conservados. Sublinhou, ainda, a visita que fez ao Mausoléu de Ataturk, “o pai da Turquia moderna”, e à Capadócia, que “é uma região de sonho, com as suas igrejas rupestres”.
Para ver
Importante será, para quem viaja, apreciar usos e costumes que pouco ou nada têm a ver com os nossos, e que são reminiscências de civilizações e de culturas que somente conhecemos dos livros e dos filmes. Por isso, o nosso entrevistado recomenda que se contemplem os trajes, o artesanato, o comércio, a arte popular e a erudita, os hábitos religiosos, as habitações e tudo o que possa contribuir para o nosso enriquecimento pessoal.
Outras Ideias
Leituras
As férias são sempre uma boa ocasião para pormos a leitura em dia.
O padre José Manuel su-gere um livro, acabado de sair. Trata-se de “A Igreja e o Estado Novo na obra de D. António Ferreira Gomes”, da autoria do doutor Manuel Pinho Ferreira, antigo director do Correio do Vouga e docente universitário (Ver página 10).
Música
O nosso entrevistado aconselha a audição das obras de Carlos Seixas, coninbricense, cujo tricentenário do seu nascimento presentemen-te celebramos, pois nasceu em 11 de Junho de 1704. Compôs inúmeras sonatas, minuetes, concertos e outras composições de índole religiosa.
