Há um par de meses que se encontra em funcionamento a Rouparia Solidária da Glória, nas antigas instalações do secretariado paroquial (cartório), junto à torre da Sé. O princípio é simples: aquela roupa usada ou não usada, em bom estado, em vez de ser deitada no lixo, pode ajudar quem passa dificuldades. Mas não só quem passa dificuldades. Quem não é muito exigente com o vestir e quiser ser solidário também pode ir à Rouparia Solidária e comprar um par de calças, umas camisas ou até um fato. O dinheiro que lá deixar será investido em solidariedade, que, como se sabe, é o melhor investimento.
A Rouparia Solidária partiu de uma ideia de Edite Lança Pereira, que a paróquia da Glória imediatamente apoiou. Hoje conta com quinze voluntários, que todos os dias (das 15h às 17h, de segunda a sábado, e ao Domingo de manhã) asseguram o atendimento.
O Correio do Vouga visitou a rouparia e encontrou as voluntárias Maria Amélia e Lídia Coelho, que tinham acabado de atender uma senhora desempregada, mãe de um rapaz de 15 anos. “Estávamos a ver que ela despejava o estaminé”, diz Maria Amélia, referindo-se à grande quantidade de roupa que a senhora levou, incluindo cobertores. Mas muita mais ficou na Rouparia, como mostraram: Fatos completos, casacos, camisas e camisolas e até pijamas. Tudo lavado e engomado. “Ultimamente tem vindo mais gente”, diz Maria Amélia. Talvez seja por causa da crise. E do frio. “Alguns deixam dinheiro. Um homem deixou um euro. Um casal brasileiro deixou 10 euros”, acrescenta a voluntária. Para já o dinheiro serve para amortizar o investimento em roupeiros.
A maior parte da roupa é usada, mas não se aceitam “coisas fracas”. O que não tiver qualidade serve para fazer trapos. E há algumas peças que ainda têm as etiquetas. Nunca foram usadas. “Uma senhora que vive com simplicidade – relata Maria Amélia – ofereceu-nos um cachecol ainda por estrear. Deram-lhe um no Natal e ela veio aqui trazê-lo, para quem precisar. «Eu tenho um e com esse remedeio-me», disse-nos”.
A Rouparia Solidária ajuda quem mais precisa, mas também ajuda quem quer ajudar e nem sempre sabe como fazê-lo. Dar roupa que tenha qualidade é uma das formas. A outra será ir lá buscar um casaco ou uma camisola, em bom estado, deixando um donativo.
Jorge Pires Ferreira
