O Serviço Federal de Segurança Russo classificou de “absurdas” as declarações segundo as quais as autoridades da então União Soviética (URSS) estariam envolvidas no atentado a João Paulo II de Maio de 1981
Uma comissão parlamentar da Itália concluiu que a URSS arquitectou uma conspiração para matar Karol Wojtyla (ver CV de 8 de Março). O presidente da comissão, Paolo Guzzanti, disse que estava certo, “para além de toda a dúvida razoável, de que os líderes soviéticos da época ordenaram o assassinato”.
Após dar-se a conhecer em Moscovo o relatório, o chefe de imprensa do que anteriormente era conhecido como KGB, Boris Labusov, declarou à agência de notícias Interfax que “qualquer afirmação sobre alguma participação dos serviços especiais soviéticos no atentado contra o Papa de Roma, incluindo os serviços de inteligência externos, é totalmente absurda e não tem nenhuma relação com as nossas actividades».
“Infelizmente – continuou Labusov – este tipo de especulações repetiu-se constantemente, quase cada dois anos, nos últimos quinze anos”.
Por seu lado, o ex-director do que fora o KGB, Vladimir Kriuchkov, declarou também à mesma agência que a informação dada a conhecer “representa uma mentira e inclusive uma provocação, uma estupidez”.
Segundo as suas palavras, o relatório é “inventado e a informação saiu dos que não estão interessados no desenvolvimento das relações entre Itália e Rússia”.
“Este tipo de informação pode desorientar as pessoas sem conhecimentos, sem preparação. Contudo, provocações como esta sempre fracassaram e fracassarão, inclusive nesta ocasião”, afirmou Kriuchkov.
Segundo o relatório da Comissão Parlamentar Italiana, a URSS teria organizado o atentado por causa do apoio do Papa ao movimento operário «Solidariedade» na Polónia, pois era visto como um perigo para a existência do regime comunista na Europa do leste.
No relatório, acrescenta-se que o turco Mehmet Ali Agca, que disparou contra o Santo Padre em 13 de Maio de 1981, na Praça de São Pedro, foi contratado pelos serviços especiais búlgaros, por ordens de seus colegas da URSS.
