S. José pequenino

Poço de Jacob – 72 De S. José poderíamos dizer muitas coisas de modo quase inesgotável, pois, apesar de poucas referências bíblicas à sua missão, ele é assunto para muita reflexão.

Parece-nos estranho Jesus dizer que “entre os filhos de mulher, ninguém é maior que João Baptista”. Talvez nos diga isso devido ao papel imediato de precursor, que prepara os caminhos do Senhor, através da consciência da necessidade de purificação, que João Baptista nos ensina com o seu Baptismo de penitência, tal como nos propõe este tempo da Quaresma…

Jesus nunca faz referência a S. José. Nem os textos de S. Paulo ou qualquer outro livro do Novo Testamento. José parece figura lendária, que aparece por conveniência na situação de um Deus que se faz carne e se insere numa família humana. No entanto, na festa de S. José, a Igreja atribui-lhe a seguinte expressão do Antigo Testamento: “Fê-lo senhor de sua casa e administrador de todos os seus bens”.

Quando o Anjo aparece a Maria, Ela diz não conhecer homem, apesar de já estar noiva de José. Ele não é o primeiro a saber da encarnação, apesar de ser o noivo, e só passada a prova é que Deus lhe revela os seus planos. Jesus mais tarde diz que Seu Pai era o Outro, quando José O encontra perdido no Templo de Jerusalém. No entanto, se o sim de Maria foi importante para a humanidade do Verbo acontecer, não foi Maria a dar um nome à criança. O Anjo só lhe diz que a criança se chamará Jesus. Mas quando, em sonhos, o Anjo fala com José, diz que será José a dar o nome à criança: «Tu Lhe darás o nome de Jesus».

Só o pai podia dar o nome à criança no Israel daquele tempo. A mãe não o podia fazer. Os nomes, na Bíblia, indicam não só a pessoas, mas também a sua missão. Será José a proclamar que Deus salva. É isto o que significa o nome Jesus. Ele é o Deus que salva. O sim de José era muito ou tão importante como o sim de Maria, já que o Senhor se quis inserir no mundo através de uma família humana. E será José a proclamar quem é o Senhor.

José é aquele que funciona como fundamento, o alicerce escondido, mas necessário, na construção desta obra de salvação. O seu lugar é o do silêncio de quem espera calmamente a manifestação do seu Deus… Ele está na linha dos Patriarcas, sobre os quais Deus edificou um povo de fé.

Neste mundo em que tanto valorizamos a honra e nos magoamos quando se esquecem de nos agradecer, queremos mostrar o que fazemos e que os homens nos atribuam os méritos, merecidos ou não, que falem bem de nós, que nos considerem e que saibam que somos amigos de grandes figuras públicas e que a nós se devem tantas obras de utilidade variada, S. José brilha como o homem da humildade e da verdade, cumpridor de sua missão sem nada esperar em troca, unicamente voltado para o essencial que está escondido aos nossos olhos. Voltado para o seu sim ao Pai, o seu amor a Maria e a sua dedicação e adesão ao mistério de Cristo. Ele não o abarcava totalmente, mas dizia com João Baptista: “Que Cristo cresça e eu diminua”.

Se Jesus usava imagens do seu tempo para as suas parábolas, tiradas dos agricultores e dos pastores, da natureza, não custa pensar que muitos dos seus ensinamentos se baseavam na pequenez deste homem que a Bíblia define como homem “justo”. Não seriam referências veladas a José as expressões de Jesus como “ocupemos o último lugar” ou “veio para servir e não ser servido” ou “quem se humilha será exaltado”?

É por aí que vamos nós? A verdade é que essa pequenez de José bem pode merecer o modo como Jesus termina a frase acima citada a respeito de João Baptista: Se ele, João, é o maior entre os filhos de mulher, o mais pequeno no Reino dos Céus será maior do que João. Esse é S. José.

P.e Vitor Espadilha