“S. Nuno é figura exemplar para a Igreja inteira”, diz o Papa

Bento XVI disse que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélica, é possível actuar e realizar os valores cristãos

Com a Praça de S. Pedro no Vaticano completamente cheia, foram canonizados no Domingo passado Arcangelo Tadini, Bernardo Tolomei, Gertrude (Caterina) Comensoli, Caterina Volpicelli (ver página 9) e Nuno Santa Maria.

Depois da apresentação de uma breve biografia dos novos santos, o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, D. Angelo Amato, acompanhado pelos postuladores das causas, pediu que os cinco beatos sejam inscritos no “álbum dos Santos” e “como tal sejam invocados por todos os cristãos”. Após a ladainha, Bento XVI canonizou os cinco beatos.

Na fórmula de canonização, o Papa disse: “Declaramos e definimos como Santos os Beatos Arcangelo Tadini, Bernardo Tolomei, Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, Geltrude Comensoli e Caterina Volpicelli, e inscrevemo-los no Álbum dos Santos e estabelecemos que em toda a Igreja eles sejam devotamente honrados entre os santos”.

Os presentes bateram palmas e acenaram-se bandeiras. Após a proclamação dos novos santos – quatro italianos e um português – transportaram-se as relíquias dos novos santos para junto do altar. O Arcebispo Amato e os postuladores agradeceram a Bento XVI.

Um exemplo a seguir

Na homilia, Bento XVI destacou algumas características do novo santo português: “Uma intensa vida de oração e absoluta confiança no auxílio divino.” E adiantou: “Embora fosse um óptimo militar e um grande chefe, nunca deixou os dotes pessoais sobreporem-se à acção suprema que vem de Deus”.

“São Nuno esforçava-se por não pôr obstáculos à acção de Deus na sua vida, imitando Nossa Senhora, de Quem era devotíssimo e a Quem atribuía publicamente as suas vitórias” – sublinhou Bento XVI na homilia.

No final da sua vida, o «Santo Condestável» retirou-se para o convento do Carmo, em Lisboa, mandado construir por ele. “Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar nomeadamente pela presença duma vida de fé e oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo a prova de que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélica, é possível actuar e realizar os valores e princípios da vida cristã” – disse o Papa.

No final da celebração, Bento XVI agradeceu à comunidade portuguesa presente na praça de S. Pedro e, em particular, aos carmelitas.

“Dirijo a minha saudação grata e deferente à Delegação oficial de Portugal e aos Bispos vindos para a canonização de Frei Nuno de Santa Maria, com todos os seus compatriotas que guardam no coração o testemunho do «Santo Condestável»: deste modo lhe chamavam já os pobres do seu tempo, vendo o sentido de compaixão e o despojamento de quem deu os seus bens aos mais desfavorecidos”, disse.

“Deixou-nos assim uma nobre lição de renúncia e partilha, sem as quais será impossível chegar àquela igualdade fraterna característica duma sociedade moderna, que reconhece e trata a todos como membros da mesma e única família humana. Em particular saúdo os Carmelitas, a quem um dia se prendeu o olhar e o coração deste militar crente, vendo neles o hábito da Santíssima Virgem e no qual depois ele próprio se amortalhou. Ao desejar a abundância dos dons do Céu para todos os peregrinos e devotos de São Nuno, deixo-lhes este apelo: «Considerai o êxito da sua carreira e imitai a sua fé» (Heb 13, 7)”, concluiu.

Ecclesia/CV

Fraternidade Nuno Álvares assistiu na Murtosa via TV

A Fraternidade de Nuno Álvares (FNA) da Região de Aveiro, organização que congrega escuteiros fora do activo dos agrupamentos, não podendo deslocar-se a Roma para assistir à canonização do seu padroeiro, juntou-se na sede do Núcleo da Murtosa e assistiu às cerimónias via televisão, em directo.

Entre familiares e associados da FNA aveirense, o grupo tinha mais de setenta pessoas. “No final o contentamento de todos estava presentes nos seus rostos”, relata um dos elementos.

Na ocasião, a FNA, que na Região de Aveiro é presidida por José Júlio Bastos, elegeu a Mesa do Conselho Fiscal e a Comissão Fiscalizadora Regional. Estes órgãos passaram a ter como presidentes, respectivamente, António Cardoso (Murtosa) e Fernandes Marques (Águeda) e como vice-presidentes Antero Fernandes (Águeda) e Vítor Oliveira (Avanca).