Olhos na Rua A notícia vinha no “Público” de 7 de junho. Falava de uma lei, em preparação, para diminuir o consumo de álcool e que pode não permitir bebidas alcoólicas antes dos 18 anos. Na mesma coluna, lia-se o comentário do presidente de uma das maiores cervejeiras portuguesas. Com humor, dizia-se preocupado em termos “ministros que não experimentaram beber uma cervejada antes dos 18 anos…” É possível, mas será difícil que tal tenha acontecido, dado o estendal de bebedeiras de cerveja nas festas de finalistas. As cervejeiras competem entre si; os estudantes, porque é de graça e é festa, bebem sem controlo e vão, muitos deles, às centenas, parece que mais raparigas que rapazes, cair nas urgências hospitalares com excesso de álcool.
Eu sei que proibir é tão fácil que daí não resulta nada de concreto. Nem com o álcool, nem com o cigarro, nem com o preservativo. Toda proibição é odiosa para quem não quer tirar prazer e proveito daquilo que deve, e embarca, sem rumo, no que lhe apetece. Está à vista que a sociedade de consumo pode anular o esforço da vontade, não apoiar quem quer uma vida digna, ridicularizar quem luta pela sua dignidade, tirar autoridade à família, nivelar, por baixo, as capacidades da gente nova, cortar asas a quem deseja voar alto. Sem educação continuada, todas as leis estão condenadas ao fracasso. Se as cervejeiras não fossem tão “generosas”, as bebedeiras de estudantes, seriam iguais no número e na gravidade? Já toda a gente faz festa de finalistas. Até os meninos da pré… A cerveja chegará a seu tempo, envolvida na farronca de quem se julga grande porque se enfrascou, até não poder mais. E cada ano é pior que no ano anterior. O governo pode pouco quando a sociedade está anestesiada. Em tudo e, também, na idade de poder já beber cerveja até não poder mais.
