Puxado por um rebocador, o navio “Santa Maria Manuela” regressou ao mar, no dia 29 de Dezembro de 2008, 15 anos depois de ser abatido. Às 16 horas em ponto, o “irmão gémeo” do Creoula cruzou o molhe da Barra em direcção ao estaleiro da Factoria Naval de Marín (Galiza), onde receberá a maquinaria que o tornará independente.
Nos estaleiros da Navalria (Aveiro), no último ano, o “Santa Maria Manuela” foi decapado, viu a sua chapa reconstruída e recuperou a cor original, o branco, e os quatro mastros. A modernização do lugre estará completa em Outubro de 2009. Em 2010, o navio iniciará actividades de turismo cultural e promoção económica.
O “Santa Maria Manuela” levará “a imagem de modernidade e dinamismo da Pascoal [empresa proprietária] a todas as partes do mundo”, afirma a empresa. “Será também promotor de turismo cultural de vocação marítima e atracção para novos fluxos de turismo. A ciência, inovação e cultura são sectores que se enquadram nos objectivos do projecto”, refere nota da Pascoal & Filhos.
O lugre foi construído nos estaleiros da Companhia União Fabril (Lisboa) em 1937 para a Empresa de Pesca de Viana. Em 1994, a Fundação Santa Maria Manuela, constituída por 17 instituições públicas e privadas, comprou-o. Em 2007, a empresa Pascoal & Filhos tornou-se gestora e proprietária do navio, assumindo a sua recuperação.
O casco do Santa Maria Manuela tem a forma dos tradicionais lugres à vela da primeira metade do século XX, utilizados na pesca do bacalhau, que vieram a ser conhecidos internacionalmente como “Portuguese White Fleet” (“frota branca portuguesa”). O navio de 62,83 m realizou dezenas de campanhas de pesca do bacalhau entre os gelos da Terra Nova e da Groenlândia. A partir de 2010 cruzará outros mares em campanhas de divulgação turística, cultural e económica.
J.P.F.
