Documento reconhece que os escândalos colocam dificuldades e sugere a criação de um “mosteiro invisível” que reze pelas vocações.
A Santa Sé publicou no dia 25 de junho um conjunto de orientações para a promoção de novas vocações ao sacerdócio, destacando a importância do celibato e da “maturidade afetiva” dos candidatos a esta missão.
“Uma mentalidade secularizada, bem como opiniões erróneas no seio da Igreja, levam a desprezar o carisma e a escolha celibatária”, assinala o documento da Congregação para a Educação Católica (CEC), que conta com a aprovação de Bento XVI.
O texto, apresentado em conferência de imprensa no Vaticano, admite a existência de “graves efeitos negativos” que decorrem da “incoerência e do escândalo causado pela infidelidade aos deveres do ministério sacerdotal”, como aconteceu nos casos de “abusos sexuais”.
“A integração e a maturidade afetiva são uma meta necessária”, refere a CEC, pedindo aos responsáveis pelos seminários que evitem fazer “propostas vocacionais” a pessoas “marcadas por profundas fragilidades humanas”.
Outro aspeto destacado nas orientações pastorais é a “gradual marginalização do sacerdote da vida social”, com a consequente “perda de relevância pública”. A Santa Sé alerta, por outro lado, para o risco de um “ativismo exagerado” por parte dos padres, que leva a uma “sobrecarga de trabalho pastoral”.
No documento aponta-se para uma “preocupante queda numérica dos sacerdotes”, a que se soma “o aumento da sua média de idade”. Esta situação é particularmente sentida na Europa, onde entre 2000 e 2010 o número de seminaristas passou de 20 564 para 26 879, em sentido contrário ao que aconteceu em África; na Ásia, os seminaristas passaram de 25 174 para 33 282, no mesmo período.
O prefeito da CEC, cardeal Zenon Grocholewski, disse aos jornalistas que o objetivo das orientações é “convidar toda a comunidade eclesial a uma renovada tomada de consciência da responsabilidade educativa e pastoral na promoção de vocações ao sacerdócio”.
As orientações pastorais agora publicadas pela Santa Sé propõem a criação de um ‘mosteiro invisível’, reunindo pessoas em oração “contínua” pelas vocações sacerdotais.
A CEC refere ainda a importância crescente das experiências de voluntariado para a descoberta do “chamamento ao sacerdócio” e recorda as possibilidades abertas pelo “serviço ao altar” (acólitos) para “outras formas de serviço na comunidade cristã”.
