Bento XVI deixou aos católicos de todo o mundo, no domingo, o desafio de não se contentarem com um modo “medíocre” de viver a religiosidade, defendendo as “referências espirituais sólidas” como São Bento, padroeiro da Europa.
O Papa, que escolheu o seu nome pela devoção ao Santo cuja festa litúrgica se celebrou na segunda-feira, disse que, “quando o crente entra em relação profunda com Deus, não pode contentar-se com viver de modo medíocre, à luz de uma ética minimalista e de uma religiosidade superficial”.
“Há uma aspecto típico da sua espiritualidade que hoje desejaria sublinhar de maneira particular: Bento não fundou uma instituição monástica destinada, principalmente, à evangelização dos povos bárbaros, como outros grandes monges missionários do seu tempo, mas indicou aos seguidores como objectivo fundamental, ou melhor, único, da existência a procura de Deus”, acrescentou.
Bento XVI lembrou a expressão que o padroeiro tirou de São Cipriano e que sintetiza o programa de vida dos seus monges: Nihil amori Christi praeponere (não antepor nada ao amor de Cristo).
“Nisto consiste a santidade, proposta válida para cada cristão e tornada autêntica urgência pastoral nesta nossa época, na qual se vislumbra a necessidade de ancorar a vida e a história a sólidas referências espirituais”, disse.
Nascido em Núrcia, por volta do ano 480, Bento realizou seus primeiros estudos em Roma, mas, decepcionado pela vida da cidade, retirou-se para Subiaco, onde permaneceu durante cerca de três anos no famoso “Sacro Speco”, dedicando-se totalmente a Deus.
Em Subiaco, servindo-se das ruínas de uma grande vila do imperador Nero, junto com os seus primeiros discípulos, construiu alguns mosteiros, dando vida a uma comunidade fraterna fundada na primazia do amor de Cristo, na qual a oração e o trabalho se alternavam harmoniosamente em louvor a Deus – o célebre Ora et Labora.
Anos depois, em Montecassino, deu plena forma a este projecto, colocando-o por escrito na “Regra”, a sua única obra que chegou até nós.
“No meio das cinzas do Império Romano, Bento, procurando antes de mais o Reino de Deus, semeou, talvez sem sequer dar-se conta, a semente de uma nova civilização que se desenvolveria, integrando os valores cristãos com a herança clássica, por uma parte, e das culturas germânica e eslava por outra”, disse ontem Bento XVI, sublinhando o papel do Cristianismo na construção da Europa.
Parem, em nome de Deus!
Bento XVI apela ao final do terrorismo
“Parem, em nome de Deus!”. Foi este o grito com que o Papa se dirigiu no domingo a todos os que “fomentam sentimentos de ódio e levam a cabo acções terroristas tão repugnantes” como a da passada quinta-feira, em Londres.
Falando aos peregrinos, reunidos na Praça de São Pedro, após a recitação do Angelus, Bento XVI manifestou a sua profunda dor pelos atentados que provocaram mais de 50 mortos e 700 feridos, afirmando que “Deus ama a vida que criou, e não a morte”, mostrando assim que a Religião não pode justificar nenhum acto terrorista.
O Papa pediu aos fiéis que rezem pelas vítimas dos atentados na capital britânica e pelas suas famílias. Bento XVI convidou também os presentes a rezar pelos autores do atentado, para que “Deus toque os seus corações”.
Num telegrama enviado ao Cardeal de Westminster, o Papa já tinha manifestado o seu pesar e angústia pelo que qualificou de “actos bárbaros contra a humanidade”. Ontem voltou a condenar os ataques, classificando-os como “atrozes”.
