Seis linhas de acção

Questões Sociais Vem a propósito da nova encíclica social recordar seis linhas de acção indispensáveis para o acolhimento e aproveitamento da mesma e de toda a doutrina social da Igreja (DSI). Três destas linhas são de natureza interna – aplicadas na vida de cada cristão e nos seus grupos e comunidades; as outras são de natureza externa e concretizam-se nas diferentes «realidades terrestres» – São linhas de acção interna: o conhecimento da DSI; a imersão da mesma naquelas realidades; e o diálogo social no âmbito eclesial. São actividades externas: a acção social de serviço, a favor das pessoas mais necessitadas; a intervenção nas diferentes estruturas socias – família, trabalho, convívio, desporto, associativismo, cultura, ambiente, política…; e a participação em processos de desenvolvimento local, ou mais alargado.

O conhecimento da DSI implica a leitura dos respectivos documentos, o seu estudo e a reflexão sobre os mesmos, em articulação com o conhecimento dos problemas sociais. A imersão nas realidades terrestres inclui o esforço permanente para a aplicação da doutrina e o confronto entre ela e a prática, em ordem à aproximação e convergência possíveis. O diálogo social no âmbito eclesial deveria ocorrer, particularmante, entre os cristãaos com posições económicas, sociais e políticas diferentes; sem este diálogo, não se constroem verdadeiras comunidades e não se caminha fraternalmente para a solução dos problemas que afectam a nossa sociedade.

A acção social de serviço respeita à procura de soluções para os problemas das pessoas mais pobres e das que se debatem com outras situações graves. Neste domínio, a Igreja desenvolve, desde o seu início, uma obra altamente meritória e única face às de outras instituições (incluindo o próprio Estado) e, embora tal acção precise de actualizações, pode afirmar-se que só nela é que os cristãos não se encontram notoriamente em falta. A intervenção nas diferentes estruturas sociais traduz-se na competência pessoal possível e na influência permanente para que tais estruturas funcionem a favor do bem comum e da realização de cada pessoa. A participação nos processos de desenvolvimento local, ou mais alargado, deveria traduzir-se, em especial, na consciência dos diferentes problemas e das potencialidades de solução, na motivação das pessoas para a iniciativa pessoal e comum, na mobilização de meios, na actuação concertada e nas avaliações periódicas. Não cabe à Igreja, evidentemente, a condução de processos de desenvolvimento; mas, sobretudo pelo trabalho dos cristãos inseridos nas estruturas, ela deve estar presente, exercer influência e contribuir para que eles sejam justos, humanos e favoráveis à solução dos problemas de maior gravidade.

Bom seria que cada paróquia e cada movimento se examinasse acerca do ponto em que se encontra relativamente a cada uma destas seis linhas de acção (e porveuntura a outras), dispondo-se a assumir novas responsabilidades que estejam ao seu alcance.