Questões Sociais Foi referido, no artigo anterior, que a emergência social se encontra em demissão coletiva perante os problemas sociais de maior gravidade. A demissão traduz-se, especialmente, nas propensões para o estatismo e para o financismo: o estatismo centra-se no Estado, com prejuízo para as pessoas mais necessitadas; e o financismo centra-se no dinheiro, com prejuízo para a ação social direta. Perguntava-se, no final do artigo, se existiriam alternativas a esta demissão.
Sublinho apenas três linhas de rumo alternativas: a primeira consiste em se preservarem, na medida do possível, os direitos sociais em vigor; a segunda consiste na mobilização solidária da sociedade civil e do Estado; e, a terceira, na cooperação de todas as entidades comprometidas na procura de soluções para os casos sociais de maior gravidade. A concretização da terceira implica a segunda, e também a alimenta.
A referida cooperação implica a centragem nas pessoas necessitadas, em vez de no Estado, e na ação social direta, em vez de no dinheiro. Isto aconselha a que os recursos públicos, para a emergência, sejam distribuídos pelas diferentes zonas do país, mediante os centros distritais de segurança social. Em cada localidade, não seria abandonado nenhum caso social, e atribuir-se-ia prioridade aos mais graves. Para as respetivas soluções, reunir-se-iam os contributos pessoais, técnicos e financeiros dos grupos e instituições de ação social, da segurança social, das autarquias locais, bem como de empresas privadas e de outras entidades.
Para uma avaliação permanente do processo, para a harmonização de critérios e para a distribuição equitativa dos dinheiros públicos, far-se-iam reuniões regulares (por exemplo, mensais) a nível de concelho, de centro distrital da segurança social e de país; nelas participariam representantes de instituições e grupos de ação social, das autarquias locais, da segurança nacional e, porventura, de outras entidades. Através deste dinamismo solidário, conhecer-se-iam, em cada momento, os casos e problemas sociais, avaliar-se-iam as capacidades de resposta, recorrer-se-ia às soluções possíveis, mesmo provisórias e imperfeitas, e abrir-se-iam horizontes para as mais definitivas e adequadas.
