“Sem oração antes, durante e depois, nenhuma actividade da Igreja dará frutos”

Pe Victor Espadilha explica iniciativa que pôs Anadia a rezar pelas vocações Durante a Semana dos Seminários (11 a 18 de Novembro), o arciprestado de Anadia promoveu um “Cerco de Jericó” pelas vocações. O Correio do Vouga colocou três questões sobre esta iniciativa ao Padre Víctor Espadilha, que responde pelo arciprestado de Anadia.

Correio do Vouga – De onde vem esta ideia do Cerco de Jericó?

Pe Victor Espadilha – O Cerco de Jericó fundamenta-se no relato bíblico do capítulo 6 do livro de Josué, a quando da conquista da Terra Prometida. Em 1979, o Papa João Paulo II quis ir à Polónia e as autoridades não lhe permitiram. O povo polaco, a Igreja, organizou-se então ao jeito de Js 6 e colocou-se em oração durante uma semana, dia e noite, para que esta “muralha” caísse. E assim foi. Terminado o Cerco, o Papa recebeu o convite para visitar a Polónia. Depois disso, o Movimento Carismático levou este tipo de acção para o Brasil. Em Portugal, o primeiro Cerco de Jericó foi feito na altura da queda das Torres Gémeas de Nova York, na Paróquia de Talhadas, Sever do Vouga, por indicação de um membro brasileiro do Movimento Carismático, em união com dois padres polacos a residir no Brasil e que visitaram Talhadas nessa altura. Hoje, este tipo de iniciativa já se espalha por todo o país. Em Moita e Vila Nova fazemos dois por ano desde 2004. Em Anadia, foi a primeira a nível arciprestal. Com a adesão unânime do clero, diácono, irmãs e muitos leigos.

Em que consistiu a iniciativa, em Anadia? Como foi a participação?

Consistiu somente em rezar, dia e noite, oito dias, confiantes na eficácia da oração eucarística. É Jesus, o Senhor da Messe, quem chama. Basta expô-lo e Ele faz o resto. O dia abria com Laudes, a cargo de uma comunidade de irmãs e diácono. Depois havia a oração do Terço às 12 e 18 horas. Houve igualmente atendimento diário de confissões às 9h e 18 horas, Missa com pregação sobre as vocações e, durante a noite, oração silenciosa, normalmente orientada pelas paróquias mais próximas de Arcos.

Todas as paróquias participaram no seu turno, dia e noite. Não eram multidões, mas a capela encheu-se várias vezes. No último dia, a Missa foi presidida pelo P. Virgílio, do Seminário de Santa Joana. Com a presença dos seminaristas de Coimbra e Leiria. Dois deram o seu testemunho e a capela estava significativamente repleta de gente. Os jovens tinham a seu cargo o turno das 22h-23h e participaram, sobretudo os representantes da juventude arciprestal.

O arciprestado planeia mais acções na linha vocacional?

Pensamos organizar, em Abril, uma visita dos jovens e crianças da catequese ao Seminário de Santa Joana, com actividades a programar com a equipa orientadora do Seminário. De resto, sublinhamos a consciência de que todas as actividades são importantes, mas, sem oração antes, durante e depois, nenhuma actividade da Igreja será apostólica nem dará os frutos desejados pelo próprio Deus. O mal do mundo é fazer muito sem oração, quando deveríamos fazer tudo o que nos compete em Deus, para que seja Ele a produzir e colher os frutos.