A sementeira da Esperança é uma necessidade permanente, dado que a pessoa humana tem tendência para oscilar entre o pessimismo esmagador e a utopia alienante. Os tempos de crise redobram a urgência de tal sementeira.
“A pessoa humana, na sucessão dos seus dias, tem muitas esperanças – menores ou maiores – distintas nos diversos períodos da sua vida” (Bento XVI, SS 30). Em verdade, a vida só progride dinamizada por objectivos, continuamente renovados.
“Às vezes, pode parecer que uma dessas esperanças a satisfaça totalmente, sem ter necessidade de outras” (Ibidem). Todavia, esses paraísos, pessoais ou comunitários, depressa revelam a sua inconsistência. E, na proporcionalidade da segurança posta nessas expectativas, resultam as desilusões ou desesperos.
Tantas as situações dos nossos dias: o trabalho, a segurança, a saúde, o poder… Afinal, tudo se revela, em última instância, frágil e efémero. Acrescem as ilusões vendidas no reino das facilidades, estupefacientes poderosos – toda a forma de publicidade, créditos, prazer… E resta a convicção da incapacidade de ultrapassar os reveses sofridos.
Estamos na época da falência da substituição da “esperança bíblica do reino de Deus pela esperança do reino do ser humano” (Ibidem). Sem a grande esperança que pode superar tudo o resto – e essa só pode ser “Deus, que abraça o universo e nos pode propor e dar aquilo que, sozinhos, não podemos conseguir” (Cf. Bento XVI SS 31), com facilidade nos deixamos vencer e ficamos pelo caminho.
Este horizonte não é um além imaginário. É a convicção de que Deus nos ama, a todos e a cada um, claramente expressa num rosto humano do divino, Jesus Cristo, que inspira e suscita uma vida de sobriedade e construção mútua, reconhecendo que os patamares alcançados são sempre imperfeitos, mas também o trampolim para novas e redobradas esperanças, a caminho da Esperança realizada!
