Sempre os antipáticos dos polacos…

Uma pedrada por semana Desde João Paulo II que, em muitos dos meios pensantes (ou não pensantes?), por razões diversas, se vai dizendo que, onde chegam os polacos, chega a intransigência dos princípios, o conservadorismo moral, o voto contra, cego e teimoso, que estraga os arranjos democráticos e os seus projectos. Também agora, a propósito da pena de morte, lá vieram eles a impedir a lindeza de uma unanimidade, tão simpática e comovente para o mundo civilizado…

Porém, o que se passou foi o lançar a pedra no charco da hipocrisia e da incoerência.

A Polónia não tem a pena de morte; não é, portanto, em favor próprio que denuncia. Alguns países da Europa, e não só, acertam os votos segundo os interesses e voltam costas a obrigações assumidas, com uma falta de memória ou de vergonha, impressionante. Os seus responsáveis apenas disseram que, se é por respeito à vida que a UE reage à pena de morte, tudo bem, faça-se o mesmo em relação ao aborto e à eutanásia, já oficializados em vários países. E com mais razão, porque na pena de morte há criminosos provados e no aborto e na eutanásia há inocentes desprezados…

Incomoda? Claro que sim, mas quem pode negar a verdade e força de coerência à única atitude verdadeiramente coerente?

A. Marcelino