Sensacionalismos não servem a verdade

Bispos da Província Eclesiástica de Braga Os Bispos da Província Eclesiástica de Braga (Aveiro, Braga, Bragança-Miranda, Coimbra, Lamego, Porto, Viana do Castelo e Vila Real), com Auxiliares e Eméritos, reunidos no Santuário do Sameiro, em 3 de Novembro, denunciam o comportamento sensacionalista de alguns meios de comunicação social que em nada serve “a verdade dos factos e a informação correcta a que os telespectadores e leitores têm direito”.

Neste comunicado, os Bispos condenam, deste modo, a RTP1 que, no dia 23 de Outubro, deturpou afirmações do Bispo de Vila Real, ainda não rectificadas.

Segundo a Secretaria Episcopal de Vila Real, a RTP1 atribuiu àquele prelado a afirmação de que não queria mulheres no altar, sem que lhe tivesse feito qualquer entrevista ou pedido qualquer comentário sobre a temática.

Afinal, a televisão estatal aproveitou “imagens pessoais antigas” e sobrepôs-lhes “frases de uma entrevista dada a uma rádio local, manipuladas com um título inexacto e enganando assim o País”.

Na realidade, “o que o Bispo de Vila Real disse àquela rádio foi que não conhecia nenhum documento de Roma sobre essa matéria, e que actualmente as mulheres, jovens e adultos vêm a exercer com regularidade serviços litúrgicos próprios dos leigos”, afirma a Secretaria Episcopal de Vila Real.

Os prelados adiantam que a RTP1 induziu “em erro os telespectadores”, levando a que outros meios de comunicação social “continuassem a mesma lamentável desinformação”.

Os Bispos da Província Eclesiástica de Braga condenam, ainda, “casos idênticos em que se manipulam notícias que atingem, por vezes, a dignidade das pessoas”, enquanto “manifestam a esperança de que haja, por parte dos responsáveis dos meios de comunicação social, uma maior atenção e respeito”.

Entretanto, D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, disse à Ecclesia que no encontro reflectiram sobre questões práticas das dioceses, tendo partilhado preocupações, nomeadamente ligadas aos “casamentos nas quintas e unidades hoteleiras”, o que leva a perder-se “o valor sacramental do Matrimónio”.

Há agências que “tratam dos casamentos, tal como tratam dos funerais”, o que traduz uma grande insensibilidade pastoral. Por isso, os Bispos da Província Eclesiástica de Braga advertem para a urgência de se “preservar o significado sacramental do matrimónio”. Mas também reconhecem que “é necessário evangelizar os pais das crianças [que vão ser baptizadas]”, referindo “qual é o significado profundo dos padrinhos”, que “não é um papel social”, disse D. Jorge Ortiga.