Sentemo-nos à mesa, partilhemos o pão

À Luz da Palavra – XVIII Tempo Comum – Ano A A palavra deste Domingo faz ressoar aos nossos ouvidos o convite de Deus para que nos sentemos à mesa, que Ele próprio nos prepara, e onde nos oferece gratuitamente o alimento que é capaz de saciar a nossa fome de vida, de perfeição, de imortalidade. Situando-nos no nosso hoje, ouvimos também ressoar o grito das crianças que morrem, diariamente, por não terem alimento.

Na primeira leitura, o Senhor diz-nos que não é preciso ser rico para saciar a nossa fome e sede. Convida-nos a comprar, “sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite”. Trabalhamos exaustivamente para arranjar muito dinheiro, e gastamo-lo naquilo que não alimenta e não sacia, afirma o profeta. Compreendemos que o texto nos situa em dois níveis: o dos bens materiais e o dos bens espirituais. Como gasto os meus valores materiais e os bens do tempo, das forças e das oportunidades? Corro atrás de coisas falaciosas ou busco o essencial?

No evangelho, Mateus narra uma das multiplicações dos cinco pães e dos dois peixes, para dar de comer a uma multidão faminta. E foi tal a abundância, que ainda encheram doze cestos com as sobras. É evidente que esta narrativa nos transpõe, em primeiro lugar, para um outro banquete, o da Eucaristia, onde Jesus Cristo é o alimento por excelência e onde todos podemos comer até ficar saciados, sem gastar dinheiro. Basta para tanto estarmos espiritualmente preparados. Mas os que se alimentam do Corpo do Senhor e da sua Palavra estão também habitualmente predispostos a “dar de comer” aos estômagos vazios, partilhando com estes as suas vidas e os seus bens. No evangelho, é o próprio Jesus que ordena aos seus discípulos que dêem de comer às multidões. Todos sabemos que, no globo, há lugar para todos e que a natureza produz alimento para saciar todas as fomes físicas. Contudo, há, por um lado, uma injusta distribuição de bens e, por outro lado, uma exploração dos mais pobres e fracos, por parte dos mais ricos e fortes, acrescida do esbanjamento de muitos produtos, que deveriam ser distribuídos pelos que precisam. As férias estão à porta. Como vou gastar o meu tempo e o meu dinheiro? Estou consciente de que os bens que tenho me são dados por Deus para eu partilhar com os que os não têm?

Na segunda leitura, Paulo exorta-nos a estabelecermos uma aliança de amor e de fidelidade com Jesus Cristo. Se assim fizer-mos, nada nem ninguém nos poderá separar do seu amor. E é, precisamente, este amor que conduz o cristão e a cristã a não se apegar, nem ao dinheiro, nem ao prestígio, nem ao comodismo, e a vencer toda e qualquer resistência, como a dor, o sofrimento, a perseguição, o medo, de modo a comprometer-se no serviço dos mais carenciados, partilhando com eles o que é e tem, sempre confiante na magnanimidade de Deus, que a todos sacia generosamente. Vivo de coração sereno, desprendido das coisas efémeras e totalmente confiado no amor de Deus?

Domingo do XVIII do Tempo Comum: Is 55,1-3; Sl 145 (144); Rm 8,35.37-39; Mt 14,13-21

Deolinda Serralheiro