Sentir com a igreja

Revisitar…o Magistério A originalidade na prática pastoral é reclamada pela identidade própria de cada presbítero, bem como pelas pessoas e circunstâncias culturais, sociais, económicas a que é enviado. Cada um de nós carrega consigo uma história e uma construção pessoal; cada um de nós é constituído para se fazer eco inteligível da Mensagem salvífica junto da diversidade dos tempos e lugares.

Esta é a razão pela qual o ministro ordenado tem de ter o coração aberto à Palavra e os olhos e ouvidos atentos à realidade que o circunda. “Para ser bom «guia» do seu Povo, o presbítero estará também atento a conhecer os sinais dos tempos: dos mais vastos e profundos, que dizem respeito à Igreja universal e ao seu caminho na história dos homens, aos mais próximos da situação concreta da sua comunidade.

Este discernimento requer a constante e correcta actualização no estudo dos problemas teológicos e pastorais, o exercício de uma sábia reflexão sobre os dados sociais, culturais e científicos que caracterizam o nosso tempo” – DMVP 56.

O ministério do presbítero exige não só uma formação inicial vasta e profunda, como também um amor habitual pelo estudo, uma atenção interiorizada à presença de Deus na história, á história de todos e de cada um, uma dedicação sem funcionalismos, uma sensibilidade permanente às interpelações do Espírito.

“A consciência da missão de anunciador do Evangelho deverá concretizar-se pastoralmente de modo que o presbítero cada vez mais possa vivificar, à luz da Palavra de Deus, as diversas situações e os diversos ambientes em que desenvolve o seu ministério.

Para ser eficaz e crível, é importante que o presbítero – na perspectiva da fé e do seu ministério – conheça com sentido construtivo as ideologias, a linguagem, os laços culturais, as tipologias difundidas através dos meios de comunicação e que, em grande parte, condicionam as mentalidades” – DMVP 46.

É evidente que nem tudo depende dos meios e das capacidades; a Graça divina é o impulso primeiro e mais decisivo para a conversão. Todavia, se somos enviados, temos uma missão a cumprir. E a cumprir com todo o empenho e zelo, com o esforço do estudo e da sensibilidade atenta. Não é uma profissão! É a participação na missão salvadora do Senhor Jesus.

“Na prática do seu ministério, os presbíteros saberão traduzir esta exigência numa constante e sincera atitude em sentir com a Igreja, de modo a trabalhar sempre em comunhão com o Papa, com os Bispos, com os outros irmãos no sacerdócio, bem como com os fiéis consagrados pela profissão dos conselhos evangélicos e com os fiéis leigos” – DMVP 56.

Referencial também indispensável, na atitude e actividade pastoral, é esta prática explícita da comunhão eclesial, garantia e termómetro da fidelidade à Mensagem original e às interpelações autênticas dos tempos e lugares.