Ser companheiro das lutas e defendor dos pobres e excluídos é próprio do tempo quaresmal

“Jesus despendeu parte do seu tempo de missão a abrir os olhos dos discípulos”, pelo que “não se pode ser cristão fora da realidade, sem estar atento às injustiças e desigualdades, às pobrezas e exclusões que vingam e crescem na hora presente”, escreve D. Carlos Azevedo, na mensagem para a Semana Cáritas, que teve início no dia 28 de Fevereiro e decorre até 7 de Março, em pleno Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social.

A primeira atitude perante situações de exclusão deve ser a de “indignação ética, nascida de uma consciência que considera sem sentido uma vida de costas voltadas para a compaixão e a misericórdia diante dos pobres e excluídos”. E isto para todos e não somente “para alguns mais sensíveis”.

Segundo o presidente da Comissão Episcopal de Pastoral Social, “impõe-se, antes de mais, um conhecimento crítico e transparente da realidade, muito ocultada por mecanismos de interesses cruzados. Ir às raízes das injustiças e destruir-lhes a fatalidade é trabalho de caridade e dever de cada ser humano diante de si próprio”.

Por outro lado, “a crescente tomada de consciência que os pobres e excluídos têm de si mesmos e a assunção do seu caminho libertador, deve ser prosseguida como paciente serviço ao futuro. Importa passar ao seu terreno fazendo nosso o seu projecto, não dirigindo-o, mas apoiando-o, estando ao serviço”, afirma D. Carlos Azevedo. “Ser companheiro das suas lutas e defensor dos seus interesses, ajudá-los a ter peso na sociedade implica em nós um êxodo mental e cultural, político e afectivo, muito adequado ao tempo quaresmal em que vivemos este dia Caritas”, afirma.

Num tempo de imensos desafio e exigências de intervenção neste drama maior da história, “seria desperdício escandaloso gastar vida e recursos em tarefas superficiais e secundárias, quando há ocasião oportuna para acção urgente e eficaz”.

O outro olhar da fé

Se a pobreza é um problema que deve preocupar todos os humanos, para os cristãos, adquire outra perspectiva. “A visão de fé que nos sustenta faz-nos sentir afectados por esta situação do desenvolvimento do mundo e rasgar caminhos do Reino novo que Jesus abriu e o Espírito do Senhor impele entre nós. Neste ano, é essencial estar com as pessoas excluídas. É opção primária que requer: tempo acolher e perceber as histórias de vida, paciência para os retrocessos, humildade para os avanços. No ambiente das pessoas excluídas entra-se pouco a pouco, até entendermos que o seu lugar é lugar de Deus. Podemos passar, tendo percursos diferentes, e reconhecendo a nossa alteridade, ser companheiros compassivos, com princípios, meios e recursos. É esta relação que a todos humaniza e liberta. (…) O grande exercício de transformação das situações, através da promoção de valores e de atitudes, do desenvolvimento do sentido crítico, da participação activa, é próprio de quem acredita no futuro”, conclui D. Carlos Azevedo, convidando todos a repensar as suas atitudes para com a pobreza e a exclusão social.