Pe António Cabeça, há um ano na diocese de Aveiro O Pe António Cabeça está na diocese de Aveiro há um ano. Foi na Quaresma de 2004 que deixou a congregação missionária dos Passionistas e se incardinou na Diocese de Aveiro, onde começou por cola-borar na paróquia de Esgueira.
Actualmente pároco de Couto de Esteves e de Pessegueiro do Vouga, prepara-se para fazer obras importantes na igreja desta última paróquia (ver caixa). O Correio do Vouga conversou com o Pe António Cabeça sobre a nova realidade de ser pároco, visto toda a sua formação ter sido feita para viver como sacerdote de uma congregação religiosa que, por princípio, tem outro estilo de vida.
“Nunca fui pároco residente, mas era um desafio que eu desde pequeno gostava de assumir. Os reitores de Avanca sempre foram pessoas de grande capacidade”, contou ao Correio do Vouga. “Estou como uma criança que dá os primeiros passos, mas acredito que o Senhor me chama a isto”.
Na congregação religiosa, António Cabeça tinha por detrás uma comunidade. E agora? “Não me sinto só, por não ter o suporte da comunidade religiosa. Tenho sempre gente à minha volta. Sinto-me perfeitamente em família”. E, numa visita guiada às obras recentes na residência paroquial de Pessegueiro do Vouga, mostra como o primeiro piso da casa está a ser adaptado para trabalhos pastorais, nomeadamente com jovens. “Às vezes eles dizem-me: ‘Vamos para a nossa casa’. E, de facto, é deles. Nada é meu. Apenas tenho o dever de zelar para que tudo esteja bonito”.
Como pároco, António Cabeça entende que a sua missão é “criar fraternidade, apoiando cada um, sem marginalizar ninguém”. Um dos desafios que sente nestas paróquias de Sever do Vouga é “valorizar a religiosidade popular, dando um novo sentido à fé e beleza das manifestações populares”. Na última Semana Santa, a tradicional procissão que se segue à Ceia do Senhor (na Quinta-feira Santa), vivida com muito fervor pela população e este ano animada pelos vários anos da catequese, foi já um sinal da renovação possível.
J.P.F.
Remodelação profunda na Igreja Paroquial
Em Pessegueiro do Vouga, vai-se à missa no auditório da Junta de Freguesia (ao domingo) ou à capela de Nª. Srª. da Saúde (à semana). A igreja paroquial (de finais do séc. XVII) sofreu obras profundas de remodelação em 1978, mas tem agora vários “pontos críticos em termos de segurança”, conforme se lê num relatório elaborado por arquitectos. Além de infiltrações de água em vários pontos, “faltam porcas e parafusos” em algumas ligações metálicas que suportam o telhado, e há estruturas “com níveis de corrosão acelerada”, enquanto “o ripado de madeira se apresenta muito deteriorado, em alguns casos, podre”.
Há necessidade de “remodelação profunda da cobertura” – conclui o relatório. Perante esta necessidade, uma das questões que se coloca é a de o altar do templo retomar a sua posição original (e, consequentemente, a assembleia). Depois da remodelação de 1978, quem entrava na igreja pela porta principal da fachada dava com o altar no lado direito. Por fora, a igreja dava a entender uma disposição. Por dentro, apresentava outra. Esta situação poderá ser emendada com as futuras obras. Para que a decisão tenha efectivamente o apoio popular, o Pe António Cabeça e a Comissão Frabriqueira pensam convocar os cristãos de Pessegueiro do Vouga para uma grande assembleia sobre as obras.
António Francisco Silva Cabeça
Nascido em Avanca, em 1964, depois de ter feito a sua formação em Itália e na Universidade Católica de Lisboa, António Cabeça foi ordenado diácono em Setúbal, por D. Manuel Martins, e padre em Barroselas (Viana do Castelo), em 1991, por D. Armindo Lopes Coelho, actualmente bispo do Porto. Ainda como missionário passionista, foi capelão durante três anos no Centro de Santo Estêvão, em Viseu, uma instituição da União das Misericórdias de acolhimento a deficientes profundos. Dessa experiência ficou um jeito no trato com deficientes, como o Correio do Vouga pôde comprovar numa visita que António Cabeça acompanhou à APCDI – Associação Pró-Cidadão Deficiente Integrado, instituição pessegueirense de acolhimento a deficientes a que o jornal se referirá num próximo número.
