Bento XVI regressou no domingo à noite ao Vaticano, após uma viagem apostólica de três dias à Áustria que o levou ao Santuário mariano de Mariazell, um dos mais importantes da Europa.
Segundo o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, a viagem foi considerada “muito positiva”. “Sabemos que tanto o Papa como o Cardeal [de Viena] Schönborn fazem um balanço positivo e estavam muito felizes, foi tudo o que estavam à espera ao nível de resultados e de resposta das pessoas”, referiu à Rádio Vaticano. Na Áustria, o Papa deixou mensagens a favor da vida e dos valores cristãos na Europa, manifestando-se preocupado com o futuro de um continente que parece querer viver sem Deus, sem filhos e sem convicções.
Logo no primeiro dia da visita, Bento XVI considerou que o aborto é “contrário” aos direitos humanos e pediu à União Europeia que não renegasse “as suas raízes cristãs”, procurando desempenhar um papel central na humanização do mundo em mudança, face à globalização.
A sétima viagem do Papa ao estrangeiro foi acompanhada por chuva persistente, o que não impediu que milhares de pessoas participassem nas celebrações eucarísticas de Sábado, em Mariazell – 30 mil pessoas vindas de toda a Europa central -, e de Domingo, na Catedral de Santo Estêvão, completamente lotada (8 mil pessoas e dezenas de milhares no exterior).
Antes de deixar Viena, Bento voltou a defender a importância da herança cristã na Europa, desejando que a Áustria “leve o seu contributo às instituições europeias e à promoção das relações internacionais, interculturais e inter-religiosas, favorecendo a penetração dos valores tradicionais do Continente, impregnados pela fé cristã”.
As suas palavras finais foram para o presente e o futuro do país, que confiou à intercessão da Mãe da Graça de Mariazell.
O que disse o Papa
“O amor ao próximo não se pode delegar. Não o podem substituir o Estado e a política, não obstante as prestações sociais e as justas medidas para aliviar os que se encontram em situação de necessidade. O amor ao próximo requer sempre o empenho pessoal e voluntário, para o qual, sem dúvida, o Estado deve criar condições gerais favoráveis”.
Encontro com 1800 voluntários austríacos, 9 de Setembro.
“Temos necessidade da verdade, mas – por causa da nossa história – temos medo de que a fé na nossa verdade comporte intolerância”.
No Santuário de Mariazell, 8 de Setembro
“A Europa tornou-se pobre de crianças: queremos tudo para nós, e provavelmente não confiamos suficientemente no futuro. Mas, privada de futuro, será a terra só quando se extinguirem as forças do coração humano e da razão iluminada pelo amor – quando o rosto de Deus já não resplandecer sobre a terra. Onde há Deus, há futuro”.
No Santuário de Mariazell, 8 de Setembro
[A União Europeia deverá] “desempenhar um papel de liderança na luta contra a pobreza no mundo e no empenho a favor da paz, em face, por exemplo, dos urgentíssimos desafios colocados pela África, das horríveis tragédias deste continente – tais como o flagelo da sida, a situação do Darfur, a injusta exploração dos recursos naturais e o preocupante tráfico de armas”.
Durante o encontro com as autoridades austríacas e o corpo diplomático, no Palácio Hofburg de Viena, 7 de Setembro
[Significa] “a nossa tristeza, arrependimento e a amizade com os irmãos hebreus, para seguir em frente nesta união no diálogo”.
Ainda em Roma, sobre o gesto recolhimento junto ao monumento às vítimas do Holocausto, na Juden Platz de Viena, que viria a fazer no dia 7 de Setembro.
Ecclesia/CV
