Assembleia assinala desafios levantados pela globalização, secularismo, crise económica e perseguições religiosas.
Os participantes no Sínodo dos Bispos de 2012 apresentaram no sábado 58 propostas a Bento XVI, com particular atenção aos que se distanciaram da Igreja num mundo marcado pelos “processos de globalização e secularismo”.
Num texto divulgado pela Santa Sé, os prelados falam num contexto de “vários desafios”, que vão da perseguição religiosa à “indiferença generalizada” em relação à mensagem cristã.
A 13.ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, um organismo consultivo criado por Paulo VI em 1965, tem como tema ‘A nova evangelização para a transmissão da fé cristã’ e decorreu até domingo passado, terminando com uma missa presidida por Bento XVI na Basílica de São Pedro.
Os bispos falam no “direito inalienável” à liberdade religiosa para indivíduos, famílias e instituições, propondo que a Santa Sé institua uma nova comissão para documentar e denunciar os “ataques” a esse direito. Segundo os prelados, há uma “consciência crescente”, nas pessoas, das mudanças que afetam a vida de hoje e sublinham, em particular, que os cristãos “não podem permanecer indiferentes ao processo de secularização”. A Igreja é também desafiada a exercer um “ministério de reconciliação” face à violência e o “individualismo generalizado”, permanecendo atenta às novas vagas migratórias e às questões ecológicas, entre outras.
O documento com as chamadas ‘proposições’ foi divulgado na sua tradução oficiosa e provisória em inglês, pelo Vaticano, e assinala a importância das cidades e da sua cultura como “lugar privilegiado” para a ação da Igreja. A nova evangelização, expressão que tem sido sujeita a diversas interpretações, é agora apresentada como “um tempo de despertar, de encorajamento e testemunho” da vida de fé em Jesus Cristo.
As propostas conclusivas lançam um olhar atento aos “novos pobres e novos rostos da pobreza” na sociedade, alertando para as consequências da atual crise económica sobre os mesmos. “A opção preferencial pelos pobres leva-nos a sair em busca do pobre e trabalhar em seu favor, para que se possa sentir em casa na Igreja”, pode ler-se.
Estas posições vão ser tidas em consideração por Bento XVI na redação da exortação apostólica que encerra a 13.ª assembleia ordinária do Sínodo, habitualmente publicada cerca de dois anos após a reunião no Vaticano. As propostas conclusivas sugerem a leitura da Bíblia e dos documentos do Concílio Vaticano II, a valorização das expressões artísticas, a participação na missa dominical, a oração, uma nova atenção à piedade popular e às peregrinações, a aposta na iniciação cristã e uma organização paroquial em comunhão com as novas realidades eclesiais.
“A educação para um uso consciente e construtivo dos media sociais é um meio importante a ser utilizado na nova evangelização”, acrescenta o texto. O Sínodo pede atenção aos jovens, às famílias e aos “significativos problemas pastorais” ligado aos casos de divorciados que voltaram a casar.
O diálogo ecuménico e inter-religioso, a relação entre fé e ciência e o encontro entre crentes e não crentes no chamado ‘átrio dos gentios’ são outros dos temas abordados pelos mais de 260 participantes na assembleia convocada por Bento XVI – um número recorde no qual se incluem D. Manuel Clemente, bispo do Porto, e D. António Couto, bispo de Lamego, em representação da Conferência Episcopal Portuguesa.
Ag. Ecclesia
