Síntese… para crescer!

Revisitando o Catecismo da Igreja Católica O Papa Bento XVI apresentou, recentemente, à Igreja Católica, o “Compêndio” do Catecismo da Igreja Católica. Fê-lo com estas palavras: “O Compêndio, que agora apresento à Igreja Católica universal, é uma síntese fiel e segura do Catecismo da Igreja Católica. Contém, de modo conciso, todos os elementos essenciais e fundamentais da fé da Igreja, de modo a constituir, como tinha sido desejado pelo meu Predecessor, uma espécie de vademecum, que permita às pessoas, crentes ou não, abraçar, com um olhar de conjunto, o inteiro panorama da fé católica”.

Ao usar a palavra compêndio e dado o desenvolvimento da obra em forma de pergunta e resposta, pode ficar em alguns a sensação de que estamos perante um manual fechado, que eclipsa a possibilidade de pensar, que tolhe a acção do Espírito sempre motivador de mais aprofundada compreensão da Revelação, que impede a criatividade pastoral (pedagógica) nos caminhos da evangelização e catequese.

Obra de indiscutível mérito de síntese global e segura e olhar de conjunto sobre a fé católica – como diz o Santo Padre – não pode, de forma alguma, tornar-se o baluarte dos imobilistas, desculpa para a preguiça pastoral, caderno sublinhado de polémica fundamentalista, para usar à maneira de seitas absolutas senhoras da verdade, que não vêm dialogar mas arrasar os adversários…

Instrumento muito útil, para uma consulta sobre o essencial, para uma estruturação mental de conjunto, tão valioso trabalho – em português, já em edição normal e edição de bolso – terá de ser estímulo para que, sem demoras nem artifícios, se contemple a diversidade cultural, as situações existenciais distintas, com adequados materiais pedagógicos para uma catequese autêntica. Sem esquecer que a Catequese, com um conteúdo cognitivo claro e estruturado, é, antes de mais, uma comunicação de vida, em dinamismo de conversão.

Convém, aliás, recordar as palavras de João Paulo II, na Carta Apostólica Depositum Fidei, aquando da publicação do Catecismo da Igreja Católica, e com referência a esse texto, de que o compêndio é uma síntese: Este Catecismo não se destina a substituir os catecismos locais devidamente aprovados pelas autoridades eclesiásticas, os bispos diocesanos e as conferências episcopais, sobretudo se receberam aprovação da Sé Apostólica. Destina-se a encorajar e ajudar a redacção de novos catecismos locais, que tenham em conta as diversas situações e culturas, mas que conservem cuidadosamente a unidade da fé e a fidelidade à doutrina católica.

O Santo Padre apresentava o CIC como um texto de referência para o ensino da doutrina católica e, de modo muito particular, para a elaboração dos catecismos locais. É que a unidade da fé não exclui, de modo algum, a diversidade de linguagem, de celebração, de apropriação cultural – que se torna vida – do mesmo Evangelho.

Querubim Silva