Sofrer até ao fim

Beira-Mar ganha ao Estoril (3-2) já nos descontos PEDRO MARTINS

As circunstâncias

Domingo, 7 de Outubro de 2007; Estádio Municipal de Aveiro; SC Beira Mar 3 (Primo – 54 min.; Roma, 85 min.; e Mateus, 92 min.) – Estoril 2 (Marco Bicho, 4 min; e Celestino, 82 min.); Árbitro: Bruno Paixão, de Setúbal.

Entrar a perder:

Ainda havia poucas pessoas a entrar no estádio (pois poucas já estavam a assistir…), quando Marco Bicho, aproveitando uma confusão à entrada da área, inaugura o marcador. Foi golpe, quase fatal, no esquema delineado por Rogério Gonçalves.

Dominar

ou deixar-se dominar:

Vendo-se a ganhar desde muito cedo, a equipa estorilista concedeu o domínio do jogo aos da casa, no entanto, sem nunca descurar o contra-ataque.

Emendar a mão:

Logo ao intervalo, o treinador aveirense faz duas substituições simultâneas, entrando Roma e Artur para os lugares de Fahel e Camora. Na primeira jogada da segunda parte, Roma, num bom remate, obrigou Ernesto a apertada defesa.

Quando os avançados

não fazem…

…faz o defesa! Primo, num bom remate de primeira, empata a partida, fazendo renascer a esperança no Municipal de Aveiro.

Desatenções pagam-se caro!

O Beira-Mar ia dominando. Maurinho, Roma, Artur criaram boas oportunidades de ampliar o marcador, mas a mira estava desalinhada. O Estoril parecia mais interessado em levar o ponto de Aveiro do que em lutar pela vitória. No entanto, apanhando o Beira-Mar balanceado no ataque, com uma boa desmarcação pela esquerda, Celestino marca o segundo e parece atirar as esperanças dos aveirenses por terra.

Acreditar é preciso

Vendo a sua equipa a perder a 8 minutos do final da partida, e com a memória bem fresca da última jornada, quando perderam frente ao Santa Clara, muitos dos poucos adeptos presentes no estádio começaram a deixar as suas cadeiras. E a maior parte deles não viu a cambalhota do marcador. Roma, de grande penalidade, restabeleceu o empate, e Mateus, esforçado mas pouco eficaz até então, aos 92 minutos, pára a bola no peito e remata para a baliza, sem hipóteses de defesa para o guardião estorilista. Um golo de levantar um estádio!

A reviravolta estava consumada e o Beira-Mar, ascendia à quarta posição da tabela classificativa, com os mesmos pontos (13) que o Trofense.

Das Cabinas:

Rogério Gonçalves – Satisfeito com o resultado, o treinador avei-rense afirmou que a vitória é “justa e merecida”. “A equipa acreditou sempre”, disse, embora reconhecesse “alguma ansiedade” depois de uma derrota caseira e de entrar no jogo a sofrer um golo.

“O futebol tem destas coisas, chegámos lá muitas vezes e não conseguimos finalizar e o Estoril, em duas ocasiões, marcou”, referiu Rogério Gonçalves.

Tulipa: Apresentou-se na sala de imprensa agastado com o resultado, e rapidamente encontrou o culpado da derrota: “A minha equipa perdeu por alguma falta de experiência, mas por outras situações que nós já sabíamos. Apitam sempre para quem é maior. Os pequenos cá vão andando (…) Sabemos que o Beira-Mar é muito forte, trabalha bem e não tem nada a ver com isto. Quer subir. O nosso objectivo não é esse. Mas não nos podem tirar dos lugares cimeiros por causa disso”, afirmou.

“Não soubemos ganhar o jogo, mas nas últimas três jornadas aconteceram coisas incríveis contra nós; e assim torna-se difícil”.