Na tarde de sábado, celebrou com as crianças. No Domingo, o Bispo de Aveiro concluiu a visita crismando jovens e adultos
D. António Francisco terminou a visita pastoral à paróquia de Sever do Vouga deixando alguns “sonhos de Deus”, na esperança de que se trilhem “caminhos humildes”, mas de renovação da Igreja.
“Sede escola de discípulos voltados para Jesus. Sede escola de missionários e mensageiros voltados para o mundo a evangelizar, renovar, salvar. Sede escola de irmãos, unidos na caridade, na reconciliação e no amor. Sede pedras vivas da caridade da Igreja”, proclamou o Bispo de Aveiro, que crismou 34 jovens e adultos. Aos crismandos pediu-lhes que coloquem “os dons ao serviço do bem comum e da Igreja”, nas “famílias, nas escolas e na universidade, nas empresas e nas comunidades”.
Em dia de Pentecostes, o Bispo de Aveiro sublinhou que o “milagre da unidade pascal do povo redimido repara a dispersão de Babel”. Hoje, a Igreja deve assumir a diversidade de culturas para “dar resposta às exigências dos tempos modernos”.
D. António Francisco recordou de um modo especial o P.e Joaquim Pinho, que fora pároco de Sever, recentemente falecido, o P.e José Henriques, actual pároco de Avanca, e Mons. Amilcar Amaral, sa-cerdote de Sever que teve um papel preponderante na catequese diocesana e nacional em décadas passadas. A irmã deste sacerdote ofereceu ao Bispo de Aveiro um exemplar de todos os livros do padre severense – gesto que muito o sensibilizou, pois alguns eram exemplares únicos. D. António Francisco, referindo-se ao Centro Cultural de Senhorinha, afirmou que é necessário “valorizar a transformar” e “bela estrutura” para o serviço ao arciprestado. “A herança que Mons. Amilcar Amaral nos legou exige essa responsabilidade”, proclamou.
No final da celebração, os crismados ofereceram ao Bispo de Aveiro uma placa de madeira dizendo: “Soprou sobre eles. Recebei o Espírito Santo”. Uma jovem explicou o sentido da oferta: “Somos da serra. Sabemos que o fogo destrói. Mas depois do fogo, nasce uma vida nova”. O Espírito, por vezes representado pelo fogo, inspira uma vida nova nos que receberam o Crisma. Tragicamente, logo após a conclusão da Missa, as sirenes dos bombeiros (também eles visitados pelos Bispo de Aveiro), nas imediações da igreja matriz, tocaram repetidas vezes devido ao fogo que deglagrava em Sanfins.
A cruz do Bispo
Sobre o sentido da visita pastoral, o Bispo de Aveiro contou no final da Eucaristia uma conversa que teve com uma criança das escolas sobre a cruz peitoral:
“- Por que é que o Sr. Bispo tem uma cruz tão pesada?
– É grande, mas não é pesada.
– Mas é de ouro!
– Não, não é de ouro. Foi-me dada pelo Papa Bento XVI.
– E por que é que não tem Jesus?
– Não tem Jesus, mas espero que ao veres o meu rosto vejas Jesus.
– Ah, isso eu vejo”.
“Esta é a maior alegria do vosso Bispo, ser rosto de Jesus”, rematou D. António Francisco. E pediu: “Senti que o vosso Bispo é vosso irmão”.
Na próxima semana, D. António Francisco está na paróquia de Cedrim. O encerramento da visita, a nível arciprestal, será no dia 11 de Junho, com a missa e procissão solene do Corpo de Deus.
J.P.F.
Formação cristã é prioridade, afirma o pároco
Após a visita do Bispo de Aveiro às três paróquias de que é pároco (Silva Escura, Rocas e Sever do Vouga), P.e Licínio Cardoso considera que a “formação cristã” é o aspecto a que, como primeiro responsável pastoral, deve dar mais atenção. “É determinante”, afirma. “Não podemos ter comunidades cristãs sem cristãos formados”, adianta. Mas acrescenta que também não poderá haver comunidade cristã, sem uma comunidade humana com fortes laços. E nesse campo há muito a fazer.
O sacerdote realça a “proximidade do Bispo de Aveiro” como aspecto que marcou positivamente a visita pastoral. “Na visita às famílias, principalmente àquelas que vivem situações de doença e de carência, todos sentiram um bispo muito próximo das pessoas”, afirma.
Sobre o Centro Cultural de Senhorinha, um espaço edificado por Mons. Amilcar Amaral, junto à capela de Senhorinha, com bar e biblioteca, inaugurado em 1982, e que actualmente é da paróquia, estando sem uso e algo deteriorado no interior, P.e Licínio Cardoso considera que deverá ser repensado. “As condições de acesso não são as melhores, mas é um espaço que poderá ser adaptado para novas realidades”, afirma. Não há, contudo, planos para o futuro imediato.
