Stress: causas, sintomas e respostas

Saúde O stress afeta muitas pessoas podendo levar à perda de qualidade de vida. Conheça as causa do stress e o que fazer para o reduzir. Textos de José Carlos A. Costa.

Uma pessoa em stress é um acidente prestes a acontecer.

O stress afeta cerca de 22% dos trabalhadores portugueses e provoca entre 50% a 60% das faltas ao trabalho. Podemos afirmar que o stress afeta a maioria dos portugueses e qualquer pessoa (bebé, criança, jovem ou idosa) pode ser afetada por ele em qualquer momento da sua vida. Portugal tem presenciado um aumento do número de casos de pessoas que sofrem de stress.

O que é o stress?

Stress é definido como um processo complexo através do qual o organismo responde aos acontecimentos que fazem parte da vida do dia a dia, sendo suscetíveis de ameaçar ou de pôr em causa o bem-estar geral da pessoa afetada. O stress é como uma tensão que se pretende que seja moderada, estável e perfeitamente controlável pela própria pessoa. O invés passa a um stress denominado patológico e exige o apoio e acompanhamento profissional.

O stress, não sendo fácil de quantificar ou medir, é possível ser classificado ou avaliado, de acordo com os acontecimentos que o provocam, podendo ser classificado de muito elevado, elevado, moderado ou baixo. O stress considerado muito elevado ou elevado pode evoluir para stress patológico, persistir e tornar-se incontrolável pela própria pessoa. O stress moderado e o de classificação baixa são situações perfeitamente contornáveis e vencidas pela própria pessoa. Todavia, não convém adiar a auto-intervenção nem o começo da terapia.

Sintomas

Os sintomas mais prevalentes no stress são o cansaço, a irritabilidade, perturbações do sono, dificuldade de memória e de concentração, sentimentos de tristeza, níveis de ansiedade elevados, sinais de angústia, consumo de drogas ligeiras e ilegais, acidentes de trabalho consecutivos, desmotivação, isolamento (incomunicação), problemas familiares, doenças cardíacas, perturbações digestivas, sinais de depressão, distúrbios de ansiedade, burnout (síndrome psicológico que envolve exposição prolongada a fatores stressantes interpessoais crónicos, decorrentes do ambiente laboral), presença persistente da fadiga, pessimismo, baixa produtividade, falta de criatividade e inclinação para o suicídio.

Doença transversal

Algumas profissões são geradoras de maior stress. Porém, qualquer pessoa empregada ou desempregada pode entrar neste processo. Um trabalhador fabril ou uma empregada doméstica pode sentir, no decorrer do seu trabalho, tanto ou mais stress que um médico, um professor ou outra profissão considerada mais stressante. É considerada uma doença transversal porque não afeta somente os que trabalham por conta de outrem, mas também afeta quem trabalha por conta própria e atinge pessoas de todas as faixas etárias. Todas as pessoas são vulneráveis ao stress. Contudo, assim como são vulneráveis a poder contraí-lo, também conseguirão evitá-lo, se souberem como e se se predispuserem a isso. A identificação da causa do stress é determinante para se poderem inibir os efeitos do mesmo e potenciar a cura.

Lidar com o stress

A forma como a pessoa lida com o stress depende quer dos recursos de que dispõe quer das estratégias que adota. O stress altera o estado de saúde, o bem-estar geral, diminui a qualidade de vida e pode propiciar outras doenças graves.

Este pode conhecer três fases: a fase do alarme, da resistência e da exaustão. Na fase do alarme, dá-se a mobilização de todos os mecanismos possíveis para enfrentar o agressor (causa); na fase da resistência é acionado o sistema de capacitação da pessoa, como meio de resistir ao agressor; a fase de exaustão consiste na constatação da ineficácia dos meios de resistência para eliminar o stress.

Causas do stress

Pode ser motivo de stress tudo o que causa tensão prolongada, irritação persistente, frustração mórbida, sentimentos de infelicidade e de tristeza continuadas; a dessincronização entre a realização de uma atividade ou tarefa e o tempo que existe para a concretizar; a ausência da autoconfiança e o medo excessivo do desconhecido eleva a propensão para situações de stress; a insegurança física e/ou psicológica e o forte receio das consequências do possível fracasso ou insucesso; o medo de perder algo ou alguém das relações de maior proximidade.

Existem acontecimentos que têm maior probabilidade do que outros de induzirem stress, principalmente por revelarem que os acontecimentos penosos influenciam a segurança e a condição de saúde da pessoa.

Acontecimentos que causam stress muito elevado: morte do cônjuge, divórcio ou separação conjugal, pena de prisão, morte de familiar próximo, lesão ou doença grave e perda de emprego.

Acontecimentos causadores de stress elevado: entrada forçada na reforma, doença grave de um familiar, gravidez indesejada, problemas sexuais, mudança de emprego indesejável ou a morte de uma pessoa amiga.

Acontecimentos potenciadores de stress moderado: discussões familiares, hipotéticas ou empréstimos avultados, mudanças de responsabilidades profissionais, saída de um(a) filho(a) de casa, problemas de relacionamento com os sogros, início ou fim do trabalho do cônjuge, início ou fim das aulas e problemas com a entidade patronal.

Acontecimentos que podem gerar stress de níveis baixos: mudança de horário ou de condições de trabalho, mudança de escola, mudança de ocupação dos tempos livres, mudança das atividades religiosas, mudanças das atividades sociais, mudança nos hábitos alimentares, férias, natal e pequenas infrações legais.

Um dos grandes problemas relacionados com o stress está nos milhares de pessoas que são obrigadas a trabalhar a baixo custo, ritmos de trabalho acelerados e pressões de ordem variada. Outros fenómenos emergentes são o assédio moral e o sexual que, apesar de já existirem há algum tempo, só agora começam a ser mais facilmente identificados.

Soluções para reduzir o stress

– Procurar apoio e acompanhamento profissional;

– praticar exercício físico diariamente e fazer uma alimentação saudável e equilibrada, com reduzido consumo de carnes e maior ingestão de vegetais;

– promover momentos de diversão em contextos sociofamiliar;

– procurar fazer pequenas mudanças no estilo de vida para evitar rotinas;

– não desejar fazer tudo, nem substituir os outros. É bom aprendermos a delegar e a estabelecer uma hierarquia de prioridades. Devemos dar prioridade ao que é realmente importante. Partilhar as preocupações descomprime e proporciona outras soluções;

– não devemos ser maus ou excessivamente exigentes connosco. Devemos ser a primeira pessoa a gostar de nós e a valorizar aquilo que fazemos de bom; é importante conhecer os nossos limites e não ir para além deles.

– Finalmente, uma boa gestão da nossa vida, não só previne como vence o stress.

Numa sociedade em mudança, como se verifica em Portugal, é possível viver sem stress patológico, mórbido, inibidor das energias e capacidades humanas. Basta aumentar os níveis de confiança, sem perder o rumo da esperança.