Sucesso ou burla

Os resultados dos exames já apreciados, os comentários de alunos e professores, o parecer de especialistas das matérias, tudo leva a crer que estamos a descer descaradamente a fasquia da exigência, a baixar o nível das competências…

Não nos iludam os números do sucesso (?). Os resultados melhorados dos exames quem dera que exprimissem uma melhoria das competências. A verdade é que, observada a capacidade prática do saber dos nossos alunos, aferida o seu saber fazer, não restam dúvidas de que ainda estamos em fase decrescente de qualidade. Mau grado o esforço persistente de inumerável quantidade de docentes, que dão o melhor de si para inverter esta onda de “facilitismo”, em que de há muito estamos enrolados.

No final da “safra” vão contar os números do sucesso. Certo é que continuaremos a ter no ensino superior muita gente sem capacidade de expressão, muita gente com dificuldades de compreensão das interrogações e raciocínios, muita gente dependente da tecnologia para suprir a falta de desenvolvimento dos seus mecanismos cerebrais. Mas, pior do que isso tudo, muita gente sem mística do trabalho, sem preocupações de excelência, sem parâmetros éticos para desenvolver os seus projectos…, se é que os têm.

O lúdico invadiu as pedagogias hodiernas; o permissivo tomou conta de todo o campo educativo. E, se o lúdico pode ser um óptimo caminho pedagógico, para o ser é extremamente mais exigente do que os processos tradicionais. E, se a liberdade é o terreno fértil de construção das personalidades, nada mais errado do que confundi-la com a ausência de regras, com uma anomia crescente.

Remendos neste sistema educativo deixarão irremediavelmente hipotecado o futuro das gerações. Urge reorganizar currículos, centrados num exigente essencial; instaurar a pedagogia do trabalho, em lugar da cultura do divertimento – clima escolar generalizado; elevar a fasquia da avaliação, em substituição da burla de uma “avaliação” para estatísticas de “sucesso”.