“Tão tarde te amei”

A Eucaristia no meu coração Perante o grande mistério da Eucaristia, penso que poderei dizer como Santo Agostinho noutro contexto da sua vida: Tão tarde te conheci! Tão tarde te amei!

Com menos de 8/10 anos, a minha catequista ensinou–me que: na hóstia consagrada está o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de N.S.J-C.

Tão real e perfeitamente como está no céu.

Palavras muito verdadeiras, mas cheias de mistério, que ultrapassavam em muito a minha inteligência pouco desenvolvida ainda, e a pequenina semente da fé que, em mim, existia.

Muito tarde e muito lentamente, crescia em mim o desejo de penetrar mais profundamente no grande mistério.

Fui lendo, fui ouvindo, fui meditando e o meu coração, aos poucos, foi-se abrindo ao mistério.

Como, num pouco de pão, numas gotas de vinho, está presente o Senhor Jesus?

Meu Deus, o que é isto?

É a realidade espiritual que se realiza pelo poder das palavras de Jesus e pelo grande amor que tem por nós: o pão e o vinho convertem-se no corpo e no sangue de Jesus.

Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós.

Isto é o meu sangue.

O sangue da nova e eterna aliança, que vai ser derramado por todos.

E será assim perpetuamente.

É o sacrifício da cruz que se perpetua.

Jesus no Seu sacrificio cruento realizou a redenção do homem e de toda a criação.

João Paulo II na sua encíclica “Ecclesia de Eucharistia” diz que: “O Filho de Deus se fez homem para, num acto supremo de louvor, devolver toda a criação Àquele que a fez surgir do nada.

Assim Jesus, o sumo e eterno sacerdote, entretanto com o sangue da Sua cruz no santuário eterno, devolve ao Criador e Pai toda a criação redimida.

Verdadeiramente este é o “mysterium fidei” que se realiza na Eucaristia. O mundo saído das mãos de Deus Criado volta a Ele redimido por Cristo”.

Na apresentação do pão e do vinho, a que impropriamente se chama ofertório, vão todo o nosso trabalho, alegrias e tristezas, assim como o nosso sofrimento e também ideais e aspirações que não conseguimos realizar.

E é sobre este pão e este vinho que o Senhor, pela voz do celebrante, diz as palavras da consagração, convertendo-os no Seu corpo e sangue; e o mesmo Senhor nos convida a receber na Sagrada comunhão.

“Felizes os convidados para a mesa do Senhor”.

Meu Senhor e meu Deus, é a Tua vida divina que nós recebemos.

Ficamos com a vida de Deus em nós.

É verdadeiramente mistério inefável!

O grande momento da comunhão é: a comum união com a SSmª Trindade e a comum união com todos os irmãos.

Comunhão com a SSmª Trindade. “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?” (1Cor. 3,16)

Comunhão com todos os irmãos, e não apenas com alguns, porque mais simpáticos, mais amigos; mas com todos aqueles que, porventura, nos magoaram, nos desprezaram e não gostam de nós, também os marginalizados os viciados. Todos devem ser amados. E isto porque, ao comungarmos a SSmª Trindade, comungamos também aqueles que Deus ama, aqueles que têm mais necessidade do nosso amor.

Senhor Jesus, só vivendo em verdadeira comunhão conTigo, poderei viver em comunhão com os irmãos.

É esta a minha aspiração.

É esta a Eucaristia do meu coração.

Que o Senhor me ajude a mim e a todos a vivê-la em plenitude.

Maria Emília Correia