Taxa e Bilhete

Ponta de Lança Para os mais distraídos dos visitantes, mas também dos autóctones, somos dos países da Europa com mais estima inter-pessoal! Se na verdade, de maneira geral, se pode dizer que não somos lá muito frios e distantes, não deixa de ser menos verdade que isso não faz de nós os cidadãos mais conseguidos do mundo. Há um atavio endiabrado na nossa mentalidade que só raramente, e com casos perfeitamente isolados, é que nos conseguimos soltar. Parece mesmo obra do demónio; a terra de Santa Maria não sai da “cepa torta”.

Porém quem cá chega percebe logo o carinho com que nos tratamos e tratamos os outros — como íamos a dizer: “viva, meu caro!”; “isto é caro!”; “… isto é, caro!” “Caríssimo!”; “Caríssimo, como vai?”; “Bolas, como é caro!”; etc.

Seguimos o sistema do “Estado Social”, grosso modo, aquele em que os cidadãos activos contribuem para o bem estar de todos os cidadãos, sob a gestão do Estado! É um sistema interessante. Em tese, parece ser uma óptima proposta. O problema é quando todos deixam de ter hipótese de comprar o bilhete (para isto e para aquilo!)!?

O problema é quando alguns andam “à pala” dos outros e esses “alguns” são quase sempre poucos face ao muito que recebem!

Então, para a bola há dinheiro? E quando não há dinheiro para a bola… o caso é grave! É quando começam os “furas”! Lá vamos armados em convidados importantes a comer camarão e a ocupar camarotes!

Ultimamente o Estado tem estado cheio de furas e furos, não tem dinheiro para o bilhete da bola! Porém, já se vão apanhando alguns furas. Ainda bem! O caso mais recente é dos “fura-urgências”. Apareciam nos hospitais sem nada partido; sem sangue; sem contusões profundas,… há que taxá-los até ao tutano!

Quem é que pode dar-se ao luxo de andar por aí doente? E às portas dos hospitais é paradigmático… doentes pobres e pobres doentes!? E a pagar moderadoras!

Mas… como é possível? Não pagamos impostos? Para onde vão? A solidão é doença ou não? A pessoa se tem medo do desamparo da noite e recorre ao hospital, isso é doença ou não?

Sim? Então, meu caro, baixa ou acaba com as moderadoras! Vamos directos ao assunto! Quem não tem bilhete não é cidadão (no hospital, na auto-estrada, no tribunal, na escola… no Estado Social). Assim, caríssimo, mais vale ser pobre e sem previdência. Cada um só come o que tem ou pode roubar!

Desportivamente… pelo desporto!