As coisas correm bem a Alex. Ama a sua mulher, a sua filha, a sua cidade, o seu trabalho… mas por vezes a força da vida pode bater contra nós. E tudo pode ser-nos tirado.
Alex nunca dá voz às palavras cruéis que pronunciou naquele dia. Mas podemos imaginá-las. Simon Stephens, autor do texto, leva-nos subtilmente, em tom de confidência, ao ponto em que nos basta apenas preencher as palavras não ditas.
Monólogo perfeito de trinta minutos, parece a história trivial de um jovem amor, da paternidade e da família, mas com a ratoeira de uma tragédia sem sentido. Pode ser Deus responsável pela beleza da vida e também pela crueldade inexplicável? Esta peça sobre a família, o medo, o luto e a perda é como um falso mar calmo debaixo do qual se esconde uma corrente violenta de mágoa e tristeza.
Teatro: “Um precipício no mar”, de Simon Stephens, com João Meireles. Encenação de Jorge Silva Melo. No Teatro Aveirense, dia 15 de Abril, às 21h45. Bilhetes a 12 euros.
