Tela de Domingos Rebelo no Museu Marítimo

ÍLHAVO – Cedida pelo Ministério da Agricultura O Ministério da Agricultura, Pescas e Florestas cedeu ao Museu Marítimo de Ílhavo, a título de depósito, a tela “Família Piscatória”, pintada em 1955 pelo artista Domingos Rebelo, tela alusiva às comunidades piscatórias e à pesca do bacalhau.

Sobre esta tela, Álvaro Garrido, director do museu ilhavense, refere que “além da sua exuberância estética e imponência de tons realistas”, a tela é a “mais forte representação pictórica do período salazarista sobre um mundo marítimo harmonioso e protegido pela obra de assistência que o Estado terá proporcionado às comunidades piscatórias. Numa expressão pictórica cromatizada, Domingos Rebelo sintetiza a obra de «ressurgimento» das pescas conduzida por Salazar e Tenreiro».

Para Álvaro Garrido, um investigador com vários trabalhos publicados sobre a pesca do bacalhau, “não é por acaso que este quadro foi o principal ícone da propaganda sobre a organização corporativa das pescas, em Portugal e no estrangeiro”. Por isso, “a sua integração e exposição no Museu Marítimo de Ílhavo permite enriquecer a colecção da Faina Maior e acrescentar ao actual discurso expositivo elementos de interpretação sobre a relação interessada do Estado Novo com a pesca do bacalhau”.

Domingos Maria Xavier Rebelo nasceu em Ponta Delgada (Açores), no dia 3 de Dezembro de 1891, e faleceu em Lisboa, no dia 11 de Janeiro de 1975. Foi discípulo de Jean-Paul Laurens, de Albert Laurens e de Naudin, tendo dedicado parte importante da sua obra a temas populares e religiosos, com destaque para os trabalhos “Natal”, “S. Francisco de Assis”, “Família Piscatória”, “Emigrantes” e o painel da capela do navio hospital da frota bacalhoeira “Gil Eanes”, para além de ter pintado os murais e frescos que decoram o salão nobre do Palácio de S. Bento.

“Nos anos cinquenta e sessenta, a obra de Domingos Rebelo é marcadamente realista, de ostensiva monumentalidade no traço e no modo como retrata tipos humanos e sociais representativos de uma certa «identidade nacional», anco-rada na história”, sublinha Álvaro Garrido, para quem a tela “Família Piscatória” constitui “exemplo maior” da sua faceta de “pintor de regime, que afeiçoou a iconografia da sua obra ao discurso ideológico do Estado Novo”.