Tenho sede!

1 – Escutamos distraídos o grito do Senhor Jesus, do alto do Seu trono de glória, nos momentos derradeiros da Sua entrega por nós! Deduzimos uma interpretação espiritual, que traduz a ânsia do Salvador por que todos quantos andam longe regressem à Casa do Pai. E é legítima essa dedução. O que ela não pode é minimizar o tormento de quem sofre a desidratação e suporta o terrível suplício consequente. Morrer de sede é atroz!

2 – Estamos a atravessar um período difícil para a vida, no nosso país: a falta de água, a seca, perfila-se no horizonte como um problema de primeira grandeza. Não teremos ainda sequer imaginado o que tal facto pode significar, na esteira da reacção em cadeia. Começamos, entretanto, a vislumbrar o martírio de populações e populações, que vivem anos e anos, vidas inteiras, penando em busca da preciosa fonte da vida.

3 – Apesar de serem conhecidas as nossas condições de tendência para períodos de carestia de chuvas, viver a experiência da provação, com quase 90% do território nacional em situação de seca severa ou extrema, não pode deixar de motivar um apreço “sagrado” pela riqueza que ainda sobra. A educação ambiental tem de deixar de ser cosmética, para ser uma vertente da formação integral, com fundamentação em princípios de admiração e gratidão pelo dom da criação, de convicção fraterna, que mova à solidariedade, superando todos os interesses egoístas. Muitas vezes só a própria experiência permite compreender a privação dos outros!

4 – É importante aproveitar a ocorrência do Dia Mundial da Água para espevitar sentimentos de estima pelo Cosmos, que foi ofertado a toda a Humanidade, pelo Homem, quem quer que seja, como administrador e usufrutuário dos bens que a Terra contém; sentimentos de clara consciência do bem comum, que promovam a cultura da solidariedade, da partilha fraterna.

5 – Os responsáveis pela ordem internacional têm de ser sensatos na eleição dos temas prioritários em favor de um Mundo pacífico e justo, equitativo e digno. As soluções não poderão continuar a ser para remediar catástrofes humanitárias. Deverão, antes, ser preventivas! O melhor do esforço de investigação de quantos têm a responsabilidade e as qualidades urge que seja posto ao serviço de um patamar de vida a que os recursos naturais podem obviar. O Senhor Jesus vai continuar a clamar, pela voz de milhões de pessoas, por uma sede de água, até que os Homens percebam que a justa distribuição de meios pode saciar a todos.