Poço de Jacob – 64 A maneira ordinária de Deus estar em contacto com os homens e vice-versa é através da fé.

Jesus dizia que, aos homens da sua geração, que pediam sinais, que só seria dado o sinal de Jonas: A ressurreição, que tem como prova um sepulcro vazio.

Vemos que já o próprio Jesus dizia que, ainda que um morto ressuscite, quem não está aberto à conversão, não se converterá. A fé é um dom de máximo conhecimento que nos dá uma certeza não provada pela evidência dos discursos, mas pelo testemunho da vida.

João da Cruz dizia que a fé sabe a vida eterna. Provamos sua existência no viver de cada dia mais árido e sem sinais. A nossa geração continua buscando sinais, e quase sempre encontramos pessoas que vêm coisas e sentem cheiros, calores interiores, movidos pela sugestão, pelo maravilhoso dos filmes de ficção, pela grande desorientação psicológica, pela sugestão animada por frequências a bruxas, tarôts, seitas, cartomantes, feiticeiros, secções espíritas… que nada mais são do que acções do diabo para enganar os mais fracos de entre o povo.

Por outro lado, na Igreja, o racionalismo e o activismo nublam os corações de outros tantos. Em nome de teologias e evidências movidas por uma razão fechada e activismos pastorais, negam a possibilidade de o divino se manifestar.

Os dois extremos levam ao fanatismo e à intolerância que julgam os demais. O cristão deve descansar na certeza da fé de que Deus não o abandona, actua amorosamente no mundo e na história e manifesta-se quando entende que tal é necessário, como acontece com Lourdes, Fátima, Alexandrina de Balazar…

Mas onde o cristão encontra a sua complacência na manifestação de Deus é na Sagrada Escritura, na qual os mistérios de Cristo nos dizem tudo quanto um homem deve e pode saber de Deus. Chamamos a isso Epifania, ou Teofania, algo que tem como fim revelar-nos que Jesus é Deus. Ninguém pode ser católico se não o confessar com convicção: Que Jesus é homem, embora seja pessoa divina. Que Jesus é Salvador.

Nessa linha se orientam os textos dos Magos do Oriente, na passada festa dos Reis, o Baptismo e a Transfiguração de Jesus; as bodas de Caná e a pregação de Cristo, deixando-nos o mais maravilhoso domna Eucaristia, onde este mistério chega até nós diariamente como presença do Deus feito Homem e Redentor.

Por isso, o Papa João Paulo II recuperou do século XIII os mistérios luminosos do Santo Rosário, para que nos deliciássemos na contemplação da manifestação de Deus em seu Filho Jesus Cristo. No fundo é o único que interessa.

Que Ele me apareça, ou eu veja estrelas no céu a brilharem de outra maneira, devo desconfiar, pois a mente humana engana-nos e o demónio também. Devemos antes aspirar a crer que Ele está na vida. Nós seguimo-lo com a certeza de que, como disse Jesus, felizes são os que crêem sem terem visto.

P.e Vitor Espadilha