A saga continua. Os pretextos são apenas ocasionais expressões de uma estratégia de fundo, claramente de cariz ideológico, com uma única finalidade: denegrir a imagem da Igreja Católica, no estertor da impossibilidade de apagar da história a sua presença, na raiva de não poder ignorar que ela plasmou a matriz da civilização ocidental.
E torna-se cada vez mais patente que os mentores desta “guerra” perceberam bem que a revolução eficaz é a da educação, a qual poderá, à maneira dos produtos transgénicos, fazer germinar uma matriz cultural adulterada.
A questão dos símbolos é a manifestação mais superficial desta luta feroz. Tem a sua importância. Mas o objectivo subterrâneo é difundir a ideologia da neutralidade, aparentemente legítima, que semeie uma sólida base de relativismo. Aí, sim, estará preparado o terreno para todos os jogos sociais, económicos e políticos, que beneficiem o lote dos donos do mundo.
Despida dos valores divinos, a consciência humana vaporiza-se, fragmenta-se. E fica a porta aberta para se justificarem todas as atitudes, as mais aberrantes, para se consagrarem todas as “verdades”, as mais arbitrárias.
Estamos sob a pressão de uma ditadura ideológica, na qual se deixam envolver tentacularmente instituições internacionais e nacionais, manipulando os povos com a tutela da comunicação social – fabricadora da (des) opinião pública -, diluindo-lhes a identidade e retirando-lhes, portanto, a capacidade de reacção.
É indispensável preservar esta capacidade de reacção, defendendo e promovendo o direito de manifestação cívica do descontentamento, fruto das convicções pessoais e comunitárias espezinhadas. A luz não é para se colocar debaixo do alqueire, mas sobre o velador. Se o sal perde o sabor, só serve para ser pisado pelos homens.
O Mestre advertiu-nos. Disse-nos, de forma bem explícita, que estamos no mundo, mas que, dele radicalmente diferentes, a nossa missão não é deixarmo-nos possuir por ele mas transformá-lo. A solene proclamação do silencioso testemunho é fundamental. Mas importa, em circunstâncias concretas, completá-lo com a solene proclamação na praça pública.
