As condições de trabalho estão a degradar-se. A defesa do trabalho digno deve fazer parte da agenda do cristão – diz dirigente dos trabalhadores cristãos. O seminário decorreu em Aveiro
Os participantes do seminário internacional da LOC/MTC (Liga Operária Católica / Movimento de Trabalhadores Cristão), que decorreu no Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, de 9 a 11 de Junho, entendem que para haver mais e melhores empregos é importante “que se promova o tra-balho digno, o diálogo social e a democracia nas empresas, como garantia para as boas práticas nos locais de trabalho, que se reforce o papel regulador do Estado, que se fortaleçam políticas de protecção social aos trabalhadores e suas famílias, que se faça uma redistribuição do trabalho por todos, com a redução da jornada, garantindo um salário adequado e justo, que se implemente uma formação ao longo de toda a vida que permita aos trabalhadores terem uma resposta adequada a ofertas diversificadas de emprego” – lê-se no comunicado final.
O seminário teve como tema “Mais e Melhores Empregos” e contou com a participação de representantes de movimentos congéneres de Espanha (HOAC), Alemanha (KAB), Polónia (Solidariedade), da JOC, da Pastoral Operária, da Base-FUT (Frente Unitária de Trabalhadores) e do EZA (Centro Europeu para os Assuntos dos Trabalhadores e da União Europeia).
Fátima Almeida, coordenadora nacional da LOC/MTC, disse ao Correio do Vouga que o seminário seguiu a metodologia clássica da Acção Católica (Ver / Julgar / Agir). “Constatamos que a precariedade aumenta muito, mesmo em países em que parecia não ser possível, como a Alemanha. Neste país de grande desenvolvimento económico, as medidas de austeridade estão a fazer-se sentir no emprego”, refere. Perante estas situações, adianta, impõe-se uma “leitura teológica sobre o valor do trabalho e sobre o compromisso cristão”. “Sento tão difícil o trabalho digno, deve ser uma prioridade nas nossas agendas de trabalho e de missão”, realça Fátima Almeida.
O seminário exortou a que se incentive a participação activa dos trabalhadores nas suas organizações e, a estas, pediu que se renovam para responder aos novos desafios “que se situam ao nível da formação e da comunicação”.
“Do seminário emerge a necessidade de continuarmos a defender o trabalho digno”, resume Fátima Almeida. “O trabalho digno – acrescenta a coordenadora – tem a ver com a valorização e reconhecimento da pessoa humana como criadora e executora desse trabalho, que, por isso mesmo, tem de ser um trabalho que em termos remuneração permita uma vida digna para si e para os seus”.
À Igreja os participantes pediram que “tenha presente na sua acção pastoral a realidade dos homens e mulheres trabalhadores, hoje caracterizada pela precariedade laboral e pobreza”, enquanto aos próprios elementos dos Movimentos de Trabalhadores Cristãos lembraram que estão “chamados a partilhar a sua vida, os seus bens e o seu compromisso com todos os homens e mulheres que mais sofrem”.
J.P.F.
Congresso: LOC/MTC
incentivada a ser criativa
Nos dias 12 e 13, no Seminário de Santa Joana, reuniu-se o congresso da LOC/MTC, participando mais de duas centenas de militantes. O congresso ratificou as linhas de orientação para os próximos três anos, reflectidas durante o corrente ano nas equipas de base.
Num momento de formação, o professor universitário José Luís Gonçalves lançou alguns reptos aos congressistas. Fátima Almeida e José Domingues, respectivamente coordenadora nacional e vice-cordenador, resumem: “Temos de encontrar saída com muito humanismo para os problemas com que nos deparamos; necessidade de se incentivar os laços sociais através da criação de lugares «intermédios» entre o público e o privado, situados numa «zona neutra» entre o mundo laboral e o contexto reservado da família; lugares de «hospitalidade», de liberdade, de sociabilidade e de reconhecimento mútuo, visando uma solidariedade de razões que levem à criação de respostas inéditas de vida em comum, através dos valores da proximidade, de cidadania e de comunidade, fomentadoras da coesão social”.
O congresso terminou com a celebração da Eucaristia. O Bispo de Aveiro afirmou: “Agora é Jesus que nos envia a todos nós como membros da LOC/MTC: o maior desafio lançado neste Congresso é a missão real nos nossos ambientes”.
A LOC/MTC tem cerca de 600 militantes. As dioceses onde está mais presente são Braga e Porto.
