Tragédias humanas não são castigo de Deus

Em visita à paróquia romana de São João da Cruz e na oração do Angelus, Bento XVI repetiu apelos para não se considerar as tragédias humanas como um castigo divino, comentando a passagem do Evangelho em que Jesus se vê interpelado sobre a morte de várias pessoas em circunstâncias trágicas.

“Perante a apressada conclusão de considerar o mal como efeito da punição divina, Jesus restitui a verdadeira imagem de Deus que é bom e não pode querer o mal, advertindo sobre a tendência a pensar que as desgraças são o efeito imediato de culpas pessoas daqueles a quem acontecem”, disse Bento XVI.

O Papa frisou que Jesus convida a fazer uma diferente “leitura” desses factos, colocando-os na perspectiva da conversão: “As desventuras, os aconteci-mentos funestos, não devem suscitar em nós curiosidade ou a busca de alegados culpados, mas devem antes constituir ocasiões para reflectir, para vencer a ilusão de poder viver sem Deus, e para reforçar, com a ajuda do Senhor, o empenho de mudar de vida”.

Bento XVI assinalou que “perante sofrimentos e lutos, é autêntica sabedoria deixar-se interpelar pela precariedade da existência e ler a história humana com os olhos de Deus, o qual, querendo sempre e só o bem dos seus filhos, por um desígnio imperscrutável do seu amor, por vezes permite que sejam provados pelo sofrimento para os conduzir a um bem maior”.