Partilha da experiência missionária de Marilyn Lourenço A campainha da Escola foi um dos primeiros sons que ouvi, quando me instalei naquela que foi minha casa durante um mês. Estava à janela a admirar a área circundante, quando de repente ela tocou. Assustei-me e dei um pulo…
Existem campainhas em muitos lugares. Até mesmo dentro de nós temos uma que toca. Foi ao som da minha campainha que também dei um pulo para o meu sonho.
Estive numa escola e tinha como missão ajudar e ensinar, mas fui eu que acabei por aprender. E não foi preciso estar dentro de uma sala de aula, não foram precisos livros e cadernos, não foi preciso lápis e caneta… Foi preciso apenas sorrir, conversar e ter uma enorme vontade de dar e receber.
Aprendi no recreio, no meio de pulos, música, brincadeiras, gritos, danças, cantigas, conversas e também no dia-a-dia, nas horas de almoço e jantar e nos momentos de oração. Os meus professores e (supostos alunos) foram crianças, jovens e adultos, curiosos por saber como era o meu Portugal e cheios de vontade de dar (por muito pouco que seja) e mostrar o melhor deles e do que o Brasil tem.
E foi o que eles fizeram: deram-me simpatia, coragem; mostraram-me vontade de lutar, de estar bem com a vida, mesmo que estejam a passar por maus momentos e privações. Deram-me generosidade, esperança e, sobretudo, uma amizade que ficará para sempre.
Marilyn Lourenço, 25 anos, animadora cultural, catequista da paróquia de Calvão, passou parte do Verão em experiência missionária na Escola Salesiana do Trabalho, em Belém do Pará, Brasil.
