«Troika» social?

Questões Sociais Existe um notório mal-estar perante a alegada insensibilidade da «Troika» face aos problemas sociais, como já tinha acontecido um mal-estar semelhante nas anteriores intervenções do Fundo Monetário Internacional em Portugal. A este propósito, justifica-se ponderarmos três hipóteses de atuação possível da «Troika»: a minimalista, a maximalista e a corresponsável: na atuação minimalista, a «Troika» não se preocuparia com os problemas sociais, limitando-se aos de natureza financeira; na atuação maximalista, atribuiria aos problemas sociais uma importância não inferior à que lhe merecem os financeiros; e, na atuação corresponsável, cooperaria com as autoridades e com outras entidades para a atenuação das consequências negativas da política de austeridade.

Parece que a opinião dominante, em Portugal, é a de que a «Troika» optou pela atuação minimalista, e que deveria ter optado pela maximalista; porém, tudo seria diferente se o Governo e outras entidades nacionais, com responsabilidades no domínio social, chegassem a acordo sobre as medidas recomendáveis, nesta conjuntura, e se dialogassem com os representantes da «Troika» na procura dos consensos possíveis. Tais medidas talvez se pudessem consubstanciar numa rede básica de proteção social, já abordada nesta coluna e defendida pela Cáritas Portuguesa. A rede consistiria na congregação de esforços de todas as entidades públicas e privadas que actuam no domínio social; e teria como finalidade proporcionar, a todas as pessoas em situação de necessidade, os bens e os serviços indispensáveis a uma vida condigna. Mais do que isso, procuraria evitar a queda nesta situação.

A rede abrangeria a entreajuda de proximidade, a subsistência pela economia, os grupos locais de voluntariado social, as instituições particulares de solidariedade social, as colectividades de cultura, recreio e desporto, outras organizações sem fins lucrativos, as escolas, as empresas, os organismos do Estado e quaisquer outras entidades que desejassem participar. Caso funcionasse bem, até poderia melhorar a nossa proteção social, nalguns aspetos, e contribuir para a sua humanização.