Ponta de Lança A matéria é actual, pertinente. Mas porquê neste contexto?
Procurando compreender o significado de cada um dos fenómenos, muitas vezes a actuarem em sequência, deparamo-nos como um (tufão, palavra de origem árabe que significa “inundação”) e outro (furacão, é de origem castelhana e quer dizer “temporal”) rimam sempre com devastação.
O que aconteceu nos Estados Unidos da América tem três curiosidades.
Parece claro, salvo melhor interpretação, que, pelo significado da palavra, se tratou de um tufão. Ora, o mundo inteiro chama-lhe furacão!
O segundo aspecto é a origem da palavra ser árabe. Com tudo o que os Estados Unidos têm protagonizado com alguns sectores árabes e islâmicos, mesmo tratando-se de realidades distintas muitas vezes são entendidas como sinónimas, toda aquela inundação suscita reflexão: árabe?
O terceiro elemento de curiosidade reside nas consequências que, lamentavelmente, intempéries com esta catalogação provocam um pouco por todo o lado, especialmente na Ásia. O acontecimento não dura mais que três minutos em televisão. E é, nem mais nem menos, o mesmo género de tragédia?!
Interpelativo, não é?
É aqui, no terceiro aspecto, que há aceitável e curioso paralelismo com o desporto.
Quando jogam os grandes, aqueles que movimentam potencialidades, oportunidades e dinheiro, os mais pobres ficam esquecidos ou são sugados. Ora, os acontecimentos de Nova Orléans colocaram nas televisões de todo o mundo uma questão fulcral: por que é que os mais pequenos (em haveres), os que menos têm é que perdem tudo? E por que é que, mesmo entre os mais pobres, até os mais pobres dos ricos têm mais audiência do que os mais pobres dos pobres?
Quantas pessoas morreram o ano passado na Ásia em consequência de tufões? E nos EUA em Setembro de 2005?
Desportivamente… pelo desporto!
