Olhos na Rua Ausente de Aveiro, nesses dias, não me encontrei com D. Norberto. Já não é um jovem e, pela foto, parece-me um adulto amadurecido, rosto enrugado, calcinado pela vida, com olhos que falam. Tive pena de não nos termos encontrado. Mas pena maior quando li a pequena entrevista que deu ao jornal diocesano. Foi ordenado bispo há dois anos para servir a mais recente diocese de Timor, Maliana. 265 mil habitantes, 263 mil católicos, 10 paróquias, 39 padres, 16 diocesanos e 23 religiosos. Reduzidas condições materiais, zonas inacessíveis na montanha, mas onde vive gente que precisa de sentir amada. Viera a Roma confirmar, com o Papa, a sua fé e missão, e se atualizar, num curso de quinze dias, para bispos recém-ordenados de todo o mundo. Rumou a Fátima para consagrar a sua diocese a Nossa Senhora, pela qual o seu povo nutre grande devoção. Visitou bispos portugueses para colher ensinamentos da sua experiência pastoral, tomar consciência e sentir-se estimulado, pela comum união na fé e missão.
A diocese tem meios muito reduzidos. Isso, porém, não o impede de trabalhar com dedicação total. Já foi gizado um plano de evangelização de cinco anos. A sorte do edifício está na solidez do alicerce e, quando se tem tudo, planeia-se pouco. Aparece sorridente e pacífico, confiante e fraterno. Sofreu e aprendeu. Quer continuar a aprender, não se sente dono nem senhor. Vi, em D. Norberto, um bispo de estilo conciliar a querer construir na comunhão, na pobreza e na esperança. Afinal não veio só aprender, mas também testemunhar o que é ser bispo animado pelo espírito conciliar, com a alegria de servir com meios escassos, mas com um coração rico de amor e de esperança.
