Um gesto ecuménico num banco do aeroporto

Olhos na Rua Também aí se pode ler a vida. Naquele tempo que demora a passar e em que se olha mil vezes para o pequeno ecrã que marca o destino, o número e a hora do voo, estava, a meu lado, uma senhora. Pegou de um pequeno livro e, em surdina que dava para entender, cantava salmos. Depois pegou na Bíblia, abriu e leu em silêncio. Era brasileira, como pude verificar. Não resisti a dizer-lhe: “Já vejo que é cristã e não tem pejo de ler em público a Palavra de Deus. Saúdo-a fraternalmente e louvo a sua atitude discreta, mas clara”. Sim, sou evangélica. A Palavra de Deus e a oração dão sentido à minha vida. E o senhor quem é? “Um padre católico português”. E ela, de sorriso aberto e olhar agradecido, retorquiu: “Temos o mesmo Senhor. Somos irmãos. Oremos um pelo outro”. Depois, contou, espontaneamente, que vivia em Portugal, do outro lado do Tejo, era casada, tinham três filhas, o marido era católico, respeitavam-se muito um ao outro e até se acompanhavam às respectivas Igrejas nos dias festivos… Vinha do Recife onde fora visitar os pais idosos… Despedimo-nos em Lisboa, gratos por nos termos conhecido, como irmãos na fé. Este ecumenismo está ao alcance de todos. Até num banco do aeroporto de Madrid. Basta testemunhar coragem e estar atento.