Um lugar de portas abertas

Uma pedrada por semana Passei quinze dias em Fátima, por razões e actividades diversas. Cada dia se vê entrar no santuário muita gente. Nos sábados e domingos são multidão diversificada de todas as terras e regiões, de todas as raças e línguas, vinda de longe ou de perto. Gente que vem ver. Gente que vem rezar e reflectir. Gente que foge do barulho da semana para experimentar o silêncio que fala e o repouso que recupera.

As manifestações de religiosidade são as mais diversas, desde quem paga promessas, se isola debaixo de uma sombra em atitude orante, se esquece do tempo e fica horas na Capelinha ou na Capela da Adoração, quem visita a nova igreja ou se passeia, como turista, pela esplanada, quem participa em encontros, comemorações, retiros.

Quem observa estas multidões tenta, por vezes, perscrutar razões, indagar motivos, apreciar valores. Tudo em vão. “Vós, disse Jesus, vedes as aparências, Eu conheço os corações”. Tudo dito.

Fátima é o lugar do imenso respeito por cada um. É a preocupação constante do que se diz, como se acolhe e orienta, do que se propõe a quem vem ou a quem passa. O anonimato da vida, também motiva a ir a santuários. Aqui a Igreja só pode ser sempre mãe que acolhe e ensina, com o amor e a ternura de todas as mães. Fátima é uma casa de família, de portas abertas, sempre com o sorriso acolhedor de Maria e a eloquência de vida dos pequenos pastorinhos. Tudo convida a ir mais além. Depende de cada um.

António Marcelino