Um misterioso olhar

Poço de Jacob – 18 O Evangelho nada diz do olhar de Jesus para a Samaritana. Sabemos, por experiência, que seria “aquele olhar”, como São Marcos registou quando Jesus olhou o jovem rico. Um olhar de amor. Não do jeito malicioso e irreverente do fado de Coimbra, que nada sabe desses olhares de Jesus. Mas, ela, eu… tu… ficamos presos nesse olhar, e por causa dele, na fé, podemos dizer esta poesia que me encanta e nos faz pensar, talvez até chorar:

Somente uma palavra, somente uma oração.

Quando chegar à tua presença, Senhor,

não me importa em que lugar da mesa me farás sentar

ou a cor da minha coroa se chegar a ganhá-la…

Somente uma palavra, se eu tiver voz na tua presença…

Não te quero fazer perguntas. só um pedido…

Se puder ser sozinho, melhor…

Deixa-me olhar-te cara a cara

e perder-me como uma criança no teu olhar.

Que passe muito tempo e não digam nada

porque estou vendo o mestre… cara a cara.

Que se afogue a minha lembrança em teu olhar.

Quero amar-te no silencio e sem palavras

e que passe muito tempo e não digam nada.

Somente deixa-me olhar-te cara a cara.

Somente uma palavra, somente uma oração.

Quando chegar à tua presença, Senhor,

não me importa em que lugar da mesa me farás sentar

ou a cor da minha coroa se chegar a ganhá-la.

Deixa-me olhar-te cara a cara…

ainda que caia derretido ante teu olhar.

Derrotado e desde o chão,

tremendo e sem respiração,

continuarei olhando-te,

meu mestre.

Quando eu cair aos teus pés, de joelhos,

deixa-me chorar preso às tuas feridas

e que passe muito tempo e que ninguém me impeça

porque esperei por este momento

toda a minha vida!

P.e Víctor Espadilha